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JUSTIçA

Por que governo e STF já querem Alexandre Moraes fora

Avalia-se que o ministro expôs Lula e a PF a um risco jurídico e obrigou corte da discutir investigação de um integrante

Há 29 dias • por Leonardo Barreto
Por que governo e STF já querem Alexandre Moraes fora
Alexandre de Moraes. Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF
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4:05

Ganha força nos bastidores a avaliação de que o presidente Lula deve não apenas abandonar Alexandre de Moraes, mas também orientar o ministro sobre quem exerce influência — leia-se Cristiano Zanin — a votar pela abertura da investigação.

E o principal motivo nem é “apenas” o desgaste de imagem promovido pelo escândalo. Mas o possível nexo causal criado entre Moraes, Andrei Rodrigues e Lula.

Explica-se:

Ao tentar expor André Mendonça por meio da sua inclusão no inquérito das Fake News, Alexandre de Moraes teria cometido um erro: publicou relatórios de arapongagem produzidos ilegalmente contra um ministro da Corte.

A produção desses relatórios, caso seja caracterizada como crime, pode criar complicações para o chefe da PF e para o superior direto dele, o próprio presidente Lula.

Watergate

Para entender esse risco, é válido fazer uma analogia com o escândalo de Watergate que culminou com a renúncia de Richard Nixon, em 1974.

Dois anos antes, cinco homens foram presos em Washington arrombando os escritórios do Comitê Nacional do Partido Democrata (a oposição da época). Eles estavam lá para instalar escutas telefônicas e fotografar documentos confidenciais.

O que parecia um roubo comum ganhou outra dimensão quando se descobriu que os criminosos trabalhavam para o comitê de reeleição de Nixon. O presidente não ordenou o arrombamento, mas, ao tomar conhecimento, teria ordenado que a CIA pressionasse o FBI a interromper a investigação.

Nixon foi implicado e, diante da pressão política, foi obrigado a renunciar.

Relações perigosas

Voltando ao Brasil, ao expor um relatório contra Mendonça, feito sob circunstâncias nebulosas, o ministro Alexandre de Moraes, consciente ou não, revelou que a PF, sob a chefia de Andrei Rodrigues, espionou (ou monitorou) uma pessoa considerada opositora. Como Andrei é subordinado diretamente a Lula, pode ter se criado uma relação causal entre o ministro, o delegado e o presidente.

O governo reconhece esse risco. Esse teria sido, inclusive, um dos motivos para Edson Fachin assumir a condução do inquérito das fake news e retirar dos autos os documentos “de inteligência”, pois eles poderiam servir como prova material contra Andrei e Lula em uma eventual CPI sobre o tema, por exemplo.

Gestão de risco

Para fazer gestão de risco, o governo precisa abandonar Alexandre de Moraes e Andrei Rodrigues. Uma forma de fazer isso é comunicar ao ministro que ele já não pode contar com o apoio dos aliados mais próximos. Nesse caso, cogita-se nos bastidores que o ministro Cristiano Zanin, sob a influência de Lula, comunicará a Moraes que irá votar pela abertura da investigação e o processo for mesmo à votação.

Nesse sentido, está se formando em Brasília uma enorme pressão para que Alexandre de Moraes saia de cena.

Primeiro, porque ele errou ao expor a PF e o próprio Lula a um risco jurídico.

Segundo, porque o STF não quer abrir o precedente de autorizar a investigação de um de seus integrantes. Como dito em textos anteriores, a abertura do precedente de autorizar uma investigação contra um ministro poderia gerar uma enxurrada de outros pedidos e colocá-los em postura permanente de defesa corporativa, sempre com alto custo político.

Se é do interesse do governo ver Moraes fora de cena e se o STF deseja evitar, por todos os meios, a reunião pública do dia 15 que deliberará sobre a questão, a conclusão lógica é que deve haver muita gente sugerindo a Moraes que sua saída é boa para (quase) todo mundo.

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