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JUSTIçA

Crise do STF também mostra que Lula não está em boa forma

Presidente tem instrumentos para ajudar a solucionar a crise, mas não o fez ou não conseguiu fazê-lo

Há 12 horas • por Leonardo Barreto
Crise do STF também mostra que Lula não está em boa forma
O presidente do STF, Edson Fachin, e o presidente Lula. Foto: Antonio Augusto/STF
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4:48

Crises em seu entorno não são novidade para o presidente Lula. Desde 2002, muitos casos colocaram sua imagem à prova: Waldomiro Diniz (2004), Mensalão (2005), Aloprados (2006), República de Ribeirão Preto (2006), Petrolão e Lava-Jato (2014), INSS (2025) e, finalmente, Banco Master (2026).

Lula sempre demonstrou muita resiliência — a capacidade de voltar à forma original após ser deformado —, o que lhe conferiu certa fama de infalibilidade.

Por isso, surpreende a forma como o presidente se deixou enredar pelo escândalo de Alexandre de Moraes e acabou associado a ele. Nem mesmo a ameaça à reeleição tem sido capaz de fazer Lula romper essa estranha aliança.

Efeitos da inação

Pode-se argumentar que Lula não tem o que fazer, pois essa é uma crise interna de outro poder. Contra esse argumento, no entanto, cabe dizer que o presidente poderia usar sua grande influência sobre o ministro Cristiano Zanin, por exemplo, para liquidar logo a fatura de Moraes.

Se Zanin sinalizasse que não faria parte da estratégia de defesa arquitetada por Gilmar Mendes e Flávio Dino, ficaria claro que não haveria como salvar Moraes e a situação provavelmente teria sido resolvida ontem (15), inclusive com o presidente recebendo créditos pelo feito.

O que se viu, no entanto, foi um circo de horrores no qual, aos olhos da opinião pública, Lula deu, no mínimo, anuência para que se estendesse.

Hipóteses

Analisando apenas aquilo que se pode ver, há duas hipóteses que podem ser levantadas para explicar a inação de Lula.

1: O presidente acredita que pode fazer desse “limão uma limonada” ao inverter os polos do escândalo e transformar André Mendonça de acusador em acusado.

2: Lula alimenta uma relação de lealdade inquebrável com Moraes e companhia.

Mas…

Se havia alguma esperança de virar o jogo contra André Mendonça, os eventos de ontem mostraram que o caminho não é esse. O ministro indicado por Jair Bolsonaro não está sendo endeusado, como Sérgio Moro foi no início da Lava-Jato, mas tampouco está sendo execrado, como ocorreu no período da Vaza-Jato.

Além disso, a mídia mainstream, que se viu ameaçada de ir para o banco dos réus com Moraes por ter tolerado alguns abusos cometidos pelo ministro durante o inquérito das fake news e os julgamentos relativos aos atos de 8 de janeiro, já largou sua mão. “A deixa” foi a quebra do sigilo da fonte de um jornalista do Maranhão ordenada por ele.

Não há mais ninguém disposto a assinar novo atestado de idoneidade do ministro Moraes.

Fraqueza

A segunda hipótese também não se sustenta. Em termos de lealdade e fidelidade, Lula não é uma grande referência, como o ostracismo de José Genoíno está aí para provar. Se companheiros históricos foram abandonados, o que dizer de um “cristão novo” como Moraes?

Daí se chega a uma terceira hipótese: Lula está fraco. Ele não tem a mesma capacidade de antes, inclusive de leitura de cenário. O Lula de antes nunca aceitaria que Moraes, por exemplo, articulasse politicamente em seu favor, como ocorreu com Alcolumbre, e está refém de outras figuras politicamente mais potentes, como Flávio Dino e Gilmar Mendes, que têm feito chegar ao presidente suas recomendações.

Lula não operou com Zanin e nem influenciou Edson Fachin, com quem se reúne fora da agenda. Ele tem instrumentos e capacidade para ajudar a solucionar a crise, mas não o fez ou não conseguiu fazê-lo.

Flávio Bolsonaro

Dentro daquilo que pode ser visto, Lula está falhando na gestão de uma crise que não é sua, mas que tem tudo para torná-lo sua principal vítima.

Se o pedido de vistas do ministro Flávio Dino durar 90 dias, Moraes tem mais chance de virar 2026 na cadeira do que o próprio Lula.

Se, objetivamente, é difícil dizer que Lula está fraco sem arrumar confusão com muita gente, pode-se dizer, por outro lado, que ele parece fraco. Quem comprova isso é o próprio Gilmar Mendes, que já mandou intermediários para “negociar” com Flávio Bolsonaro.

O Lula de hoje não é, definitivamente, o Lula de antigamente.

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