O lançamento da candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) à Presidência do Senado, nesta quarta-feira (4), abre uma nova etapa nas articulações para o comando da Casa em 2027. Embora o PL tenha conquistado a maior bancada da próxima legislatura, com 29 senadores, a eleição dependerá da capacidade de construir uma maioria que inclua parlamentares de partidos do Centrão.
As movimentações buscam construir uma composição capaz de reunir votos da direita e do centro para enfrentar Davi Alcolumbre (União-AP), que buscará a reeleição para a Presidência do Senado. A estratégia considera que, mesmo com o apoio dos três senadores do Novo, o PL ainda precisaria conquistar pelo menos nove votos para alcançar os 41 necessários à eleição.
Marinho parte de uma bancada numericamente expressiva e do apoio de setores do bolsonarismo. Do outro lado, Alcolumbre também depende de uma composição multipartidária. O atual presidente conta com o apoio do governo Lula e recebeu o respaldo formal da federação formada por União Brasil e PP. Essa manifestação, entretanto, não assegura a adesão integral das bancadas, uma vez que a eleição é secreta e os senadores podem divergir das orientações partidárias.
O Centrão, portanto, ocupa uma posição relevante nas articulações dos dois campos. Enquanto a oposição precisa ampliar sua base para além do PL e do Novo, Alcolumbre busca preservar os apoios construídos ao longo de sua gestão e evitar a migração de parlamentares para uma candidatura alternativa.
A disputa também evidencia que o crescimento da direita nas eleições de outubro não se traduz automaticamente em controle sobre a estrutura do Congresso. A composição da Mesa Diretora depende de acordos que envolvem interesses partidários, distribuição de espaços institucionais e relações políticas estabelecidas entre os senadores.
A eleição para a Presidência do Senado será, assim, um dos primeiros testes da reorganização das forças políticas após as eleições gerais. O resultado dependerá menos da divisão entre governo e oposição e mais da capacidade de cada campo de estabelecer acordos com os parlamentares que transitam entre essas duas posições.




