O ministro Alexandre de Moraes protocolou na madrugada desta terça-feira (15) sua defesa no processo que será analisado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Em uma manifestação de 44 páginas, Moraes nega ter cometido crimes, pede a anulação do relatório da Polícia Federal e contesta a condução da investigação sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
As informações foram apuradas pela repórter Nathália Pase, da Band em Brasília, que teve acesso à defesa apresentada pelo ministro.
“Duplamente nulo”
Moraes sustenta que o relatório da PF é “duplamente nulo”. Segundo ele, o documento foi produzido a partir de uma determinação judicial que considera ilegal e contém conclusões sem comprovação.
No item 31, o ministro afirma que o relatório é “absolutamente nulo no seu próprio conteúdo” porque conteria “ilações sem qualquer comprovação” e “recortes de fragmentos”. Moraes também cita manifestação da Procuradoria-Geral da República ao questionar a condução do procedimento.
A defesa rebate ainda a suspeita de eventual vazamento de informações da Operação Compliance Zero, que levou à prisão de Vorcaro em novembro de 2025. Moraes nega ter antecipado informações privilegiadas ao ex-banqueiro.
Como argumento, afirma que a operação foi realizada com sucesso, Vorcaro foi preso e o telefone celular do ex-banqueiro, posteriormente utilizado nas investigações, acabou apreendido.
“Não é lógico, razoável e plausível suspeitar que houve eventual vazamento de informações e favorecimentos”, diz a manifestação.
Contestações
Moraes também afirma que jamais julgou qualquer processo do Banco Master ou de Daniel Vorcaro, antes, durante ou depois do contrato firmado entre o banco e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Segundo a defesa, não existe sentença, decisão ou ato de ofício de autoria de Moraes relacionado ao banco ou ao ex-controlador da instituição.
O ministro também contesta o uso de anotações encontradas no celular de Vorcaro. Afirma que estaria sendo responsabilizado por textos de terceiros encontrados em blocos de notas do aparelho apreendido pela Polícia Federal.
“VINGANÇA”
Na parte final da manifestação, Moraes atribui as acusações a uma motivação político-eleitoral e utiliza a palavra “VINGANÇA”, em letras maiúsculas.
Segundo o ministro, haveria uma tentativa de retaliação de aliados de pessoas condenadas pelo Supremo pelos atos relacionados à tentativa de golpe de Estado.
No item 121, Moraes afirma que “a tentativa de Golpe não se encerrou em 8/1/2023” e que teria apenas mudado seu modus operandi. Acrescenta que o Supremo “saberá resistir” e manter a defesa da Constituição, do Estado de Direito e da democracia.
O caso será analisado pelo plenário do STF nesta terça-feira. Os ministros terão acesso ao relatório da Polícia Federal, aos dados extraídos do celular de Vorcaro e à manifestação apresentada pela defesa de Moraes.
Siga @felipevieirajornalista




