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POLíTICA

Cenários para a crise do STF mostram maior potencial de benefício para Flávio

Projeção indica adiamento e prolongamento do desgaste da corte como hipótese mais provável. Saiba quais são os impactos na eleição

Há 23 dias • por Leonardo Barreto
Cenários para a crise do STF mostram maior potencial de benefício para Flávio
Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: PR e Agência Senado
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A deliberação do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre investigações envolvendo seus próprios integrantes não é apenas um evento processual, mas um evento de ineditismo histórico.

A expectativa de se viver algo novo, no entanto, não deve turvar que a tradição institucional do STF é de natureza corporativa-conservadora, que percebe na sua hermeticidade a sua própria força.

Com isso em mente, se estabeleceram três cenários básicos utilizando o método de competição de hipóteses e IA para estimar probabilidades de resultado para o que o Brasil está prestes a assistir.

A Análise de Hipóteses Competitivas (ACH) — metodologia desenvolvida para mitigar vieses de confirmação em análises de inteligência — permite avaliar objetivamente a probabilidade dos caminhos institucionais e é amplamente utilizada para a construção de cenários.

Resultado

[55%] Cenário 2: pedido de vista e adiamento
[35%] Cenário 3: arquivamento e recusa da investigação
[10%] Cenário 1: abertura de inquérito e afastamento cautelar

Impacto eleitoral de curto prazo: fortalecimento de Flávio Bolsonaro em todos os cenários, mas com abertura de novas possibilidades estratégicas para exploração de Lula.

Pedido de vista e risco de desgaste prolongado (55% de chance)

O pedido de vista por um dos ministros representa a alternativa de menor resistência regimental e institucional. Ao paralisar a deliberação do mérito, o tribunal utiliza uma válvula de escape tradicional para adiar decisões explosivas em momentos de alta tensão política.

Impacto Eleitoral: favorável a Flávio Bolsonaro. Mantém a controvérsia sobre o STF ativa (“sangria contínua”) nas redes e nos guias eleitorais, sem oferecer ao governo Lula um desfecho jurídico que estanque a pauta. Para compensar, o comitê de campanha de Lula estimularia dúvidas quanto à atuação de André Mendonça e aposta em descobertas novas contra o candidato da oposição.

Recusa e arquivamento do relatório (35% de chance)

A rejeição da abertura do inquérito por razões processuais ou ausência de elementos probatórios atende ao instinto primário de autopreservação corporativa da Corte, evitando que órgãos policiais ou investigações externas estabeleçam precedentes punitivos contra seus membros.

    Impacto Eleitoral: favorável a Flávio Bolsonaro. Por um lado, se confirmaria a narrativa de estabilização do arranjo institucional e se atacaria a credibilidade de André Mendonça, acusando-o de manipulação eleitoral. Por outro, uma maré de decepção da opinião pública poderia contaminar a campanha e criar uma onda antissistRecusa e arquivamento do relatório (35% de chance)
    ema.

    Abertura de investigação e afastamento cautelar (10% de chance)

    A hipótese de abertura de inquérito acompanhada do afastamento de um ministro é residual. O custo de oportunidade para o tribunal é proibitivo: rompe a coesão interna do colegiado, abre espaço para um efeito dominó punitivo e insere o STF no epicentro absoluto da campanha.

    Impacto Eleitoral: favorável majoritariamente a Flávio. O abalo da decisão consolidaria a crítica bolsonarista ao STF e estimularia um revisionismo dos julgamentos de 08/01. A crítica à atuação política de André Mendonça de uma possível atuação política também seria diminuída. A Lula restaria estimular, agora, investigações contra Flávio (Dark Horse e relações entre ele e Cláudio Castro).

    Conclusão

    A análise das hipóteses demonstra que a neutralidade do STF no processo eleitoral de 2026 é um objetivo inalcançável. O tribunal tornou-se o palco central do cálculo estratégico de Lula e Flávio.

    A tendência mais provável — o adiamento por pedido de vista — impõe às campanhas um cenário de incerteza prolongada.

    Mas, enquanto a oposição encontra na indefinição um combustível permanente para mobilizar a sua base e atrair o centro desencantado, o governo fica na defensiva enquanto não conseguir retirar os holofotes da crise e ter capacidade de defender a sua gestão, cuja imagem tem se deteriorado nas pesquisas recentes.

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