O presidente Donald Trump anunciou na noite de terça-feira um acordo de cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã, pouco antes do fim do prazo por ele mesmo estabelecido para uma ação militar decisiva. Os ataques planejados, segundo Trump, levariam “à destruição de uma civilização”.
Israel comprometeu-se a respeitar o cessar-fogo pelo período de duas semanas, suspendendo seus ataques ao território iraniano, enquanto autoridades iranianas confirmaram o pacto, mediado por Paquistão e China.
O acordo prevê que o Irã restabeleça o tráfego seguro de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz, chokepoint vital para o comércio global de energia. Cria-se também uma janela de oportunidade para uma solução definitiva que encerre a guerra iniciada em fevereiro.
Ainda que essa paz duradoura seja estabelecida, no entanto, os efeitos da guerra serão sentidos por muito tempo em todo o mundo.
Custos ocultos
Os custos ocultos do conflito, como destacado em análise do CSIS (Center for Strategic and International Studies), mal podem ser estimados. O Estreito de Ormuz, além de petróleo (cerca de 20% de toda a produção mundial), é rota essencial para fertilizantes e suprimentos alimentares. Por isso, o bloqueio observado nas últimas semanas elevou os preços de energia e alimentos globalmente.
Além disso, a destruição de infraestrutura se estendeu por diversos países da região. A cada ataque de americanos e israelenses, o Irã respondia atingindo alvos em seus vizinhos. Foram destruídos, por exemplo, data centers e usinas de dessalinização nos Emirados Árabes, Bahrein e Kwait.
Uma vítima talvez irrecuperável dessa guerra foi a reputação americana no mundo árabe, conforme análise da revista Foreign Affairs. Pesquisas recentes do Arab Barometer, uma fonte confiável sobre as oscilações da opinião pública no Oriente Médio, mostram que China, Irã e Rússia superam atualmente os EUA em aprovação popular em países como Egito, Iraque e Jordânia.
Regime brutal
As ameaças de Trump de demolir a infraestrutura energética iraniana, repetidas ao longo desta terça-feira, 7, foram recebidas com indignação entre os vizinhos do regime xiita. Muitos desses equipamentos estão interligados aos de outros países e, como afirmou um assessor do líder supremo iraniano, destruí-los “deixaria a região no escuro”. As ameaças sugeriam que o presidente americano estava disposto a infligir danos colaterais a aliados árabes, gerando até mesmo uma crise humanitária como a escassez de água potável.
O regime islâmico iraniano é opressivo dentro de suas fronteiras. Além disso, tem o objetivo explícito de aniquilar Israel e espalha violência no Oriente Médio por meio de proxies no Líbano, Iraque e Iêmen. O mundo estaria melhor sem o governo dos aiatolás. Mas a inepta operação americana dificilmente terá como resultado deixar o mundo melhor do antes.




