Informação: As medidas recentes do governo são fortemente aprovadas pela população. 60% aprovam zerar impostos sobre combustíveis; 54% aprovam o fim da escala 6×1; 52% gostaram do PIX MEI.
Diagnóstico: Lula acertou nas medidas, mas errou no timing e o eleitor continua parecer decidido a ter uma mudança.
Os dados da Atlas
O relatório da pesquisa Atlas divulgado hoje mostra que as medidas recentes adotadas pelo governo são fortemente aprovadas pela população:
• 60% avaliam positivamente zerar impostos sobre combustíveis;
• 54% avaliam como ótimo ou bom o fim da escala 6×1;
• 52% gostaram do PIX MEI;
• 51% Aprovam perdão de dívidas para MEI;
• 48% aprovam Pé de Meia para universitários.
Esses números tornam-se mais importantes quando se lembra que Lula é rejeitado e desaprovado pela maioria da população. Ou seja: ele conseguiu furar um filtro importante que, hoje, define como as pessoas percebem o presidente.
O eleitor aprova o que o governo está fazendo, mas o teto eleitoral de Lula não se amplia. Usando outros relatórios Lula tem uma rejeição e média 2 pontos superior à de Flávio Bolsonaro.
Essa situação indica que o presidente pode ter acertado nas medidas, mas errado no timing de aplicação, porque vieram DEPOIS de as pessoas terem tomado posição.
Sobre o debate – síntese de grupos qualitativos:
Ponto forte de Lula: experiência e previsibilidade.
Ponto fraco de Lula: falta de credibilidade e de propostas de futuro;
Ponto forte de Flávio: jovialidade e discurso corretamente endereçado para a prosperidade das pessoas;
Ponto Fraco de Flávio: falta de postura presidencial.
As mensagens endereçadas ontem mostram a posição de ambos nas pesquisas.
Lula continua investindo em campanha negativa, focando em descontruir a imagem do oponente. Flávio busca se defender ao prometer manter direitos sociais e tenta ser propositivo no combate à criminalidade, melhoria da eficiência do SUS e criação de condições de crescimento econômico individual, mesmo que com propostas que carecem de detalhamento.
É difícil pedir mais moderação a Lula em uma situação na qual ele se encontra atrás nas pesquisas. É uma condição profundamente incômoda. Apesar da melhora nas pesquisas, manifestações de rua e maior presença nas redes, Lula ainda não conseguiu recuperar poder de iniciativa e depende de escorregadas do adversário.
Pesquisas com sinais trocados
A recuperação de Lula estava sendo retratada de forma generalizada até a publicação da nova rodada da DataPoder hoje, que mostra Flávio Bolsonaro abrindo 4 pontos depois de ambos aparecerem numericamente empatados no final da semana passada.
É o primeiro estudo a mostrar uma interrupção na trajetória de reação do presidente.
Mesmo nas pesquisas que mostram recuperação de Lula, no entanto, há sinais trocados difíceis de interpretar.
Por exemplo, na pesquisa Nexus, Flávio recebe 68,3% dos votos de Ronaldo Caiado, 44,2% de Augusto Cury, 43,7% de Renan Santos e 67,7% de Zema. Lula tem 21,6% de Caiado, 38% de Cury, 33,6% de Renan e 13,4% de Zema.
Fazendo uma simulação considerando que todos os eleitores que foram às urnas no primeiro turno fossem os mesmos do segundo turno, essas taxas de transferência garantiriam a Flávio 51,77% e a Lula 48,23% (diferença de 3,54 pontos).
Porém, a pesquisa Nexus traz um cenário de 51,6% contra 50,3% (diferença de 1.3 pontos). Três hipóteses podem explicar esse aparente descompasso:
• Eleitores menos convictos de Flávio estão migrando para Lula;
• A taxa de transferência real dos eleitores de Cury e outros pode ter sido mais favorável a Lula do que a pesquisa indica;
• Existe um novo contingente de eleitores (que se abstiveram no primeiro turno) que pode alterar o resultado.
Hipótese mais consistente
Contrariando o senso comum, a hipótese mais consistente, segundo a aplicação do método de competição testado com IA, é a de que “eleitores menos convictos de Flávio estão migrando para Lula”. Além disso, o crescimento de Lula tem vindo acompanhado e redução do seu adversário.
Hipótese menos consistente
Também ao contrário do que a própria campanha do PT está dizendo, a abstenção não é um “estoque” de votos: Os 33,4 milhões de abstenções (21,08%) não são um grupo homogêneo que vai votar em bloco. Segundo estudo já divulgado, 1/4 (25%) tem problemas de saúde, 1/6 (16,7%) não está na cidade, 1/9 (11,1%) não tem documentação e 1/12 (8,3%) mora longe. Esses grupos não votam no 2º turno mais por razões logísticas do que por motivos políticos.
Conclusão
A análise dos dados da Atlas, dos grupos qualitativos e das pesquisas com sinais trocados mostram que as medidas do governo foram muito úteis porque permitiram a Lula furar o filtro da rejeição com ações concretas. Entretanto, seu teto não foi rompido, o que sugere que há um problema de timing.
Pode acontecer uma virada? Sim, mas o tempo restante e os dados de transferência de votos tornam esse cenário pouco provável. O crescimento recente parece mais um ajuste do que uma virada e a aposta na redução da abstenção tem um limite muito claro.
É importante buscar nas próximas pesquisas a confirmação ou não da interrupção dessa recuperação sugerida pelo relatório do DataPoder.




