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“Vice será, de preferência, mulher”, diz Flávio Bolsonaro em encontro do Grupo VOTO

Em evento com lideranças femininas, pré-candidato põe ênfase na segurança e detalha pela primeira vez propostas em diversas áreas

Há 133 dias • por Da Redação
“Vice será, de preferência, mulher”, diz Flávio Bolsonaro em encontro do Grupo VOTO
Flávio Bolsonaro no Brasil de Ideias Mulher - Especial Eleições 2026. Foto: Grupo VOTO
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6:17

O senador Flávio Bolsonaro fez nesta segunda-feira (8), durante o Brasil de Ideias Mulher – Especial Eleições, uma de suas falas mais longas e uma das primeiras entrevistas estruturadas desde o início de sua pré-campanha presidencial. Diante de cerca de 200 lideranças femininas reunidas no Palácio Tangará, em São Paulo, o parlamentar apresentou propostas para áreas como educação, saúde, economia e, especialmente, segurança pública.

“Hoje quase 50 milhões de brasileiros têm de pagar taxa para traficante ou miliciano. Eles sitiam bairros inteiros, expulsam pessoas das suas casas. O político que não se indigna com isso tem de sair da vida pública”, afirmou.

Ao defender enfaticamente uma política de endurecimento penal — incluindo a construção de 500 mil novas vagas em presídios, “para começar” — o senador também dirigiu críticas duras ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O presidente pensa o contrário, parece que é chefe do PCC. Falou recentemente em dar perdão para quem compra celular roubado.”

Ele associou o atual governo à leniência com o crime em outros momentos de sua fala. “Presídios fizeram festa na eleição de Lula. Se você está votando igual traficante ou assassino que está dentro da cadeia, não é ele que está errado, é você.”

O senador justificou sua recente viagem aos Estados Unidos para defender a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo ele, a medida tem como principal objetivo sufocar financeiramente as facções e dificultar a movimentação internacional de recursos. Ele disse considerar positiva a necessidade de bancos e instituições financeiras brasileiras reforçarem seus mecanismos de monitoramento e compliance. “O poderio financeiro dessas organizações criminosas é enorme. E a maior parte das fintechs e bancos nunca precisou verificar se certos recursos vinham ou não do tráfico”, disse.

Mulheres na política

Na economia, uma das propostas que mais chamou atenção foi a promessa de suspender por um ano a implementação da reforma tributária aprovada no atual governo, para reavaliar seus impactos e promover alterações que reduzam a carga de impostos. Flávio voltou a defender a ampliação da liberdade econômica, a redução da burocracia para empreendedores e um amplo programa de privatizações, citando nominalmente os Correios. Também defendeu maior segurança jurídica para investimentos, mencionando o STF. “Não dá para conviver o tempo todo com canetadas do tribunal que mudam o que foi decidido pelo Congresso”, disse.

Flávio dedicou parte significativa de sua fala à participação feminina na política e na administração pública. Rejeitando a imagem de que o bolsonarismo teria pouca abertura para mulheres, destacou que a maioria dos cargos de liderança de seu gabinete é ocupada por elas e afirmou que uma eventual chapa presidencial deverá ter uma mulher como vice. Sugeriu ainda que a hipótese de entregar a condução da política econômica a uma mulher não deveria ser descartada.

Em apoio a sua fala o senador convidou, fora do roteiro previsto, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniela Marques, para subir ao palco. Apresentou-a como figura importante de sua campanha, que também poderia desempenhar papel relevante em um eventual governo.

Tecnologia

Tecnologia foi um tema que mereceu destaque. Flávio colocou a inteligência artificial no centro de sua visão para a educação e para o crescimento econômico do país. Ao comparar o Brasil com experiências internacionais, criticou o que chamou de excesso de foco em disputas ideológicas no ensino e defendeu investimentos em laboratórios, ciência aplicada e formação tecnológica.

“Quais professores estão preparados para lidar com IA? O governo dá prioridade para ideologia, e não para tecnologia e laboratórios, como em Taiwan”, afirmou. Segundo ele, ciência, tecnologia e inteligência artificial devem se tornar prioridades nacionais, inspirando-se em modelos como os de Israel e Taiwan para ampliar a competitividade brasileira e impulsionar uma nova etapa de desenvolvimento econômico.

Ele defendeu a ampliação dos investimentos na primeira infância e propôs um sistema de vouchers para creches, com participação da iniciativa privada. Argumentou que a medida permitiria ampliar vagas e, ao mesmo tempo, facilitar a inserção das mulheres no mercado de trabalho.

Na saúde, o pré-candidato rejeitou críticas ao Sistema Único de Saúde e afirmou vai fortalecer o SUS por meio da tecnologia. Entre as propostas mencionadas estão a digitalização de processos para reduzir filas, o uso de ferramentas de busca ativa para acompanhar pacientes idosos e o incentivo ao desenvolvimento nacional de vacinas e insumos farmacêuticos.

Coalizão

Flávio procurou se manter focado em propostas. Foram exceções as diversas menções a perseguição política e a narrativas voltadas a “destruir sua reputação e a da família Bolsonaro”.

Ao final do encontro, Flávio Bolsonaro demonstrou confiança na construção de uma ampla coalizão de centro-direita para as eleições de 2026 e afirmou que sua campanha terá presença mais robusta nos estados do que a de Jair Bolsonaro, em 2022. Segundo ele, já existem 22 palanques estaduais articulados. O senador também voltou mais de uma vez à tese de que um eventual governo precisará contar com um Congresso alinhado ao presidente da República para aprovar mudanças estruturais. A mensagem transmitida foi a de que pretende combinar a agenda conservadora do bolsonarismo com uma plataforma mais detalhada de gestão, inovação e desenvolvimento econômico.

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