Brasília é mesmo uma novela que traz muitas reviravoltas. O que era esperado, pelo governo e pela campanha, como uma semana de brilho para Lula, em meio a uma corrida eleitoral apertada, acabou ofuscado pelos escândalos que tomaram conta da capital.
Expectativas
Até o início desta semana, os jornais estampavam fotos de Lula ao lado dos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. A reaproximação alimentava a expectativa de que as principais agendas do governo finalmente avançariam no Congresso.
Lula e seu entorno consideravam um trunfo importante para sua candidatura conquistar o noticiário com pautas positivas na última semana de esforço concentrado do Congresso antes do segundo turno das eleições.
A expectativa girava em torno de propostas tratadas publicamente pelo presidente como prioritárias: o fim da escala 6×1, a MP das “blusinhas”, o Redata, o projeto sobre minerais críticos e a PEC da Segurança Pública.
Saldo aquém do esperado
Redata e minerais críticos foram aprovados com amplo apoio dos parlamentares. As outras três matérias — justamente avaliadas como principais, porém, não avançaram como o projetado.
A despeito do avanço da MP que estabelece o fim da taxa das “blusinhas” ainda ser esperado para esta quinta, o processo para sua aprovação demandou mais tempo e negociação por parte do governo do que o planejado.
Já a PEC do fim da escala 6×1 e a da Segurança Pública avançaram apenas na CCJ e não devem ser deliberadas em plenário antes das eleições.
O saldo legislativo não foi negativo e permitiu alguma sinalização ao eleitorado, mas ficou aquém do ganho político que o governo esperava obter na semana, sobretudo porque os avanços conquistados acabaram perdendo espaço no noticiário.
Furacão Master
A quebra de sigilo, pelo ministro do STF André Mendonça, de informações sobre o envolvimento de Alexandre de Moraes no caso Master, dominou o noticiário e pautou o ambiente político em Brasília.
O episódio, apesar de não envolver, neste momento, o Congresso, reduziu o espaço para a aprovação de matérias mais polêmicas nas Casas legislativas. O foco da classe política, inclusive de parlamentares, se deslocou das votações que interessavam ao governo para a crise no Supremo Tribunal Federal.
A repercussão chegou especialmente ao Senado, a quem cabe processar eventuais pedidos de impeachment de ministros do STF. Não é de hoje que a oposição pressiona para fazer essa agenda avançar, mas esbarra na resistência dos caciques da Casa. As novas revelações deram combustível a uma discussão que já existia.
Defensiva
A semana que Lula esperava usar para tomar a dianteira da pauta política terminou, mais uma vez, com ele na defensiva. Agora, precisando se afastar politicamente de Alexandre de Moraes, associado ao presidente por parcela do eleitorado em razão de seu protagonismo nas ações relacionadas aos atos de 8 de janeiro.
Essa foi mais uma preocupação para a campanha, que já acumula os desgastes envolvendo o filho do presidente, o Lulinha, no escândalo do INSS e o chefe de gabinete conhecido como Marcola.
Há alguns meses, quando veio à tona o envolvimento de Flávio Bolsonaro no caso Dark Horse, alguns petistas lamentavam que o episódio tivesse surgido “cedo demais” e apostavam que novos fatos apareceriam mais perto da eleição. Agora, se prendem de novo a isso: que algum novo desgaste de Flávio possa alterar o rumo da disputa em sua reta final. Em uma eleição apertada, cada segundo vale ouro.




