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POLíTICA

O potencial político de Caiado, Ratinho e Leite

Em um outro universo, talvez os 3 políticos do PSD estejam disputando uma eleição entre eles, representando alternativas de direita, centro e esquerda, cada com muita consistência e organicidade

Há 206 dias • por Leonardo Barreto
O potencial político de Caiado, Ratinho e Leite
Eduardo Leite, Ronaldo Caiado e Ratinho Jr. no programa Canal Livre, da Band. Foto: Reprodução/Canal Livre
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4:22

O PSD, hoje, poderia ser caracterizado como um microcosmo da cena política brasileira se não houvesse a calcificação da polarização. Em um outro universo, talvez Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite estejam disputando uma eleição entre eles, representando alternativas de direita, centro e esquerda, cada com muita consistência e organicidade nos seus respectivos campos políticos.

No programa Canal Livre, exibido na noite domingo (15), os três governadores apresentaram suas ideias e ficou claro que Ratinho Jr. é o que poderíamos chamar de o “centro do centro”, com Caiado à sua direita e Leite à sua esquerda.

O que os três têm em comum

Primeiro, aquilo em que os três concordam:

O país precisa abandonar a polarização “Lula x Bolsonaro e apostar em gestões técnicas; deve buscar equilíbrio fiscal e redução de impostos e corrigir o desarranjo de poderes.

No que eles divergem

Há algumas divergências importantes entre eles.

Segurança Pública: Ronaldo Caiado é o mais enfático no endurecimento das penas e defende abertamente a redução da maioridade penal para 16 anos. Leite tem uma postura mais cautelosa e sistêmica, dizendo que a redução da idade penal serviria para o crime recrutar “jovens para as facções” dentro das cadeias. Ratinho tem uma linha intermediária, focada em inteligência e tecnologia, mas tende a concordar com o endurecimento de penas como forma de pacificação.

Anistia e 8 de janeiro: Ratinho e Caiado mostram-se favoráveis à discussão de uma anistia ou indulto aos envolvidos no 8 de janeiro para “pacificar o país”. Leite é mais resistente e defende que a anistia pressupõe arrependimento e que o ordenamento jurídico deve ser respeitado com rigor, evitando passar a mensagem de complacência com atos antidemocráticos.

Pautas sociais e “identitarismo“: Eduardo Leite traz para o debate a importância da diversidade, inclusão e proteção de minorias. Ele busca mostrar-se como fiscalmente conservador e socialmente progressista. Caiado e Ratinho Jr. focam quase exclusivamente em pautas ligadas ao setor produtivo e ao agronegócio, evitando temas da pauta identitária.

Estilo de oposição: Caiado é o mais vocal e incisivo nas críticas diretas ao presidente Lula. Sua postura é de oposição clara e combativa. Leite e Ratinho preferem um tom mais diplomático. Embora critiquem o governo, evitam ataques pessoais e tentam se posicionar como uma “alternativa propositiva” em vez de apenas “oposição raivosa”.

Vantagens e desvantagens

Nesse panorama, em um cenário de eleição contra Lula e Flávio Bolsonaro, Ratinho Jr. seria o competidor com mais capacidade de se diferenciar de ambos. O eleitor de direita que quer ordem, mas sem forçar as instituições, tende migra para ele sem culpa. Além disso, ele tiraria Lula da “zona de conforto”, obrigando-o a discutir gestão e economia sem que o petista pudesse colocar sobre ele a questão da defesa da democracia, que será utilizada novamente contra um Bolsonaro (o filho).

Caiado seria extremamente competitivo contra Lula, mas teria dificuldade em se diferenciar de Flávio Bolsonaro. Ambos tendem a disputar o mesmo “lote” de votos (segurança, agro, conservadorismo). Por proximidade ideológica, caso Flávio Bolsonaro saia da disputa por algum motivo, Caiado seria, sem dúvidas, aquele com maior chance de herdar o apoio do Bolsonarismo.

Por fim, Leite é o candidato que mais “machuca” o PT, pois disputa o eleitor de centro-esquerda urbano e jovem que vota em Lula por falta de opção liberal-progressista. Por outro lado, em uma eleição com Flávio Bolsonaro, Leite teria dificuldades para atrair o voto conservador. Com esse perfil teria poucas chances de passar para o segundo turno competindo com candidatos mais à direita, mas, se chegasse lá, seria imbatível contra Lula por pegar todo o espectro antipetista e eleitores de centro-esquerda cansados de Lula. O problema é passar.

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