Com base nas pesquisas recentes — incluindo os levantamentos da Atlas/Bloomberg e da Quaest de setembro de 2026 —, o que é possível medir de impacto da crise do STF sobre o processo eleitoral?
Uma coisa é possível dizer logo de saída: embora apareçam associadas, as crises do Banco Master e do STF são fenômenos separados. O primeiro tem um impacto distribuído mais simetricamente entre Lula e Flávio Bolsonaro. O segundo é mais relacionado ao PT.
Eleitorado independente é mais sensível à crise
Menos blindados pelos filtros ideológicos, os eleitores independentes são mais sensíveis ao desgaste do STF e as ramificações do caso Banco Master.
- Rejeição institucional: entre os independentes, a desconfiança ou desaprovação em relação ao STF saltou de forma acentuada, atingindo patamares da ordem de 65%;
- Migração de intenção de voto: nas medições da Quaest de setembro de 2026, o senador Flávio Bolsonaro avançou para 36% das intenções de voto entre os independentes, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuou para 26%. Esta abertura de margem sugere uma maior permeabilidade do eleitor sem partido aos discursos de oposição quando o tema central da agenda pública passa a ser a integridade institucional;
- Percepção de culpa difusa: ao serem questionados sobre a responsabilidade nas fraudes do Banco Master, os independentes revelam ceticismo: 37,5% apontam os aliados de Lula, 24,6% apontam os aliados de Bolsonaro, e 36,0% avaliam que todos os blocos estão igualmente implicados.
O eleitorado geral
Fora do recorte dos independentes, a opinião pública geral apresenta divisões profundas, com polarização sobre quem arca com o maior ônus da crise.
- Prejuízo eleitoral percebido: segundo dados da Atlas/Bloomberg, quase metade do eleitorado (49,5%) avalia que a atual crise envolvendo ministros do STF prejudica mais a candidatura de Lula. Em contrapartida, 20,9% enxergam maior prejuízo para Flávio Bolsonaro, enquanto 14,4% acreditam que ambos são afetados igualmente.
- Divisão partidária no escândalo: na avaliação sobre o envolvimento de aliados no Banco Master, o eleitorado total divide-se simetricamente: 41,2% culpam os aliados de Bolsonaro e 40,2% responsabilizam os aliados de Lula.
Comportamento eleitoral e margem de flutuação
Embora o volume de notícias seja intenso, a esmagadora maioria dos eleitores (cerca de 85%, segundo o Datafolha) declara que o escândalo não altera sua escolha definitiva. No entanto, a margem de flutuação — embora numericamente restrita — revela reações assimétricas:
- Incerteza ligeiramente superior à esquerda: entre os eleitores que admitiram ter ficado em dúvida sobre o voto por conta das revelações, o percentual foi marginalmente maior entre os apoiadores de Lula (8%) do que entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (5%);
- Consolidação na oposição: por outro lado, o núcleo bolsonarista tendeu a reagir aos episódios não com dúvida, mas com rigidez de posicionamento, utilizando o desgaste institucional para reforçar a decisão de voto prévia.
Implicações e perspectivas
O cenário de setembro de 2026 sinaliza que a volatilidade eleitoral deixou de ser pautada exclusivamente por indicadores macroeconômicos tradicionais (como inflação e endividamento) e passou a incorporar o risco institucional e de governabilidade.
A capacidade de o governo estancar o desgaste perante os eleitores independentes — que demonstraram maior sensibilidade e migração de votos na margem — será determinante para definir a largura do corredor competitivo que se abriu em decorrência dessas duas crises.




