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MUNDO

Encontro Lula-Trump rende sorrisos e promessa de mais conversas

Como antecipado pela revista V, reunião "produtiva" na descrição dos dois lados não resultou em anúncios concretos

Há 141 dias • por Carlos Graieb
Encontro Lula-Trump rende sorrisos e promessa de mais conversas
Lula e Trump na Casa Branca. Foto: Ricardo Stuckert/PR
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O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, na tarde desta quinta-feira, 7, transcorreu por cerca de três horas — período superior ao inicialmente previsto — e confirmou o diagnóstico antecipado pela revista V: não produziu anúncios concretos, mas foi considerado produtivo pelas duas delegações. A conversa se estendeu para além da agenda formal e incluiu um almoço, com discussões centradas em tarifas comerciais, cooperação em segurança pública e acesso a minerais críticos.

Apesar da expectativa inicial, não houve aparição conjunta dos dois presidentes nem entrevista coletiva lado a lado. A ausência frustrou o protocolo previamente anunciado e reforçou o caráter reservado da reunião. Do lado americano, a comunicação oficial foi minimalista: Trump publicou um comentário incomumente lacônico em sua rede social, limitando-se a dizer que discutiu “muitos temas”, especialmente comércio e tarifas, sem detalhar resultados ou encaminhamentos.

Grupo de trabalho

Na saída, Lula falou sozinho à imprensa na embaixada brasileira em Washington. O presidente descreveu o encontro como “importante” e afirmou que não houve temas interditos, incluindo questões sensíveis da geopolítica e da segurança regional. Segundo ele, uma das principais decisões foi a criação de um grupo de trabalho bilateral para negociar, em até 30 dias, uma proposta sobre as tarifas ainda incidentes sobre produtos brasileiros. O presidente reconheceu divergências entre as equipes econômicas, mas indicou disposição de ambos os lados para negociar concessões.

Crime organizado

Lula também destacou a tentativa de estruturar uma cooperação mais ampla no combate ao crime organizado, com ênfase na troca de informações e em mecanismos conjuntos de enfrentamento a fluxos financeiros ilícitos. Ao mesmo tempo, reiterou a defesa da soberania brasileira, especialmente diante de propostas americanas mais duras, como a classificação de facções como organizações terroristas.

Leitura americana

A leitura americana do encontro, conforme a cobertura do The New York Times, foi deliberadamente contida. O jornal destacou que, embora os dois líderes tenham tratado de temas relevantes — como comércio, minerais críticos e segurança —, a Casa Branca evitou sinalizar avanços concretos ou compromissos firmes. A decisão de cancelar a aparição conjunta foi interpretada como indicativo de que não havia resultados políticos claros a apresentar.

Ainda assim, a reportagem ressalta que o encontro se deu em um contexto de “trégua frágil” após meses de tensões, incluindo tarifas, sanções e trocas públicas de críticas. Nesse cenário, o simples fato de uma reunião longa e sem rupturas já é visto como um elemento de estabilização. A avaliação predominante em Washington é que o diálogo foi útil para manter canais abertos e preparar negociações futuras, especialmente nas áreas comercial e de segurança, mas sem alterar substancialmente o quadro bilateral no curto prazo.

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