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MUNDO

O que esperar da reunião Lula-Trump: nada de concreto

Encontro pode ser visto como exercício de gestão de risco. Idealmente, produzirá sinais de que desacordos não vão se aprofundar

Há 141 dias • por Da Redação
O que esperar da reunião Lula-Trump: nada de concreto
Os presidentes Trump e Lula, durante encontro em 26 de outubro de 2025. Fotos: Ricardo Stuckert / PR
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3:30

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne na tarde desta quinta-feira, 7, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington, em um encontro que marca a tentativa de reativar uma relação bilateral tensionada por disputas comerciais e divergências políticas. A reunião, organizada após meses de negociações discretas, deve funcionar mais como ponto de partida para novos entendimentos do que como palco para anúncios concretos.

O encontro ocorre em um momento sensível para ambos os governos. Lula chega aos Estados Unidos com uma pauta centrada em segurança pública e comércio. Ele pretende apresentar uma nova proposta de cooperação no combate ao crime organizado e, ao mesmo tempo, tentar evitar a imposição de novas tarifas sobre exportações brasileiras. A estratégia brasileira é oferecer intensificação no intercâmbio de inteligência policial e financeira, buscando atacar fluxos de dinheiro e armas, sem aceitar a classificação de facções como organizações terroristas — hipótese defendida por Washington.

Economia

Do lado econômico, o cenário é de contenção de danos. Após um ciclo recente de sobretaxas e investigações comerciais, o governo brasileiro trabalha para impedir que novos mecanismos, como a Seção 301, resultem em tarifas mais duras. Estima-se que há pouco espaço para avanços estruturais, sendo mais provável que a reunião sirva para estabilizar a relação e reduzir riscos imediatos.

A agenda inclui ainda temas estratégicos como minerais críticos, regulação de big techs e cooperação migratória. Apesar da amplitude dos assuntos, não há expectativa de acordos formais imediatos. A aposta de Brasília é mais política do que técnica. Quer preservar um canal direto com Trump e evitar movimentos que possam interferir na eleição brasileira de 2026.

Gestão de risco

A própria configuração do encontro reflete esse caráter. Cada presidente estará acompanhado por uma comitiva enxuta de ministros e assessores estratégicos das áreas econômicas e de segurança. O vice-presidente americano, JD Vance, também deve estar presente.

O encontro pode ser visto como um exercício de gestão de risco. Idealmente, produzirá sinais de cooperação suficientes para evitar que desentendimentos — especialmente na área comercial e na classificação de organizações criminosas — se aprofundem.

Reação do bolsonarismo

O bolsonarismo atua nos bastidores para influenciar interlocutores de Trump, destacando críticas de Lula ao americano, numa tentativa de criar constrangimento para o presidente brasileiro.

Internamente, aliados de Flávio Bolsonaro, que disputará a presidência com Lula em outubro, tentarão explorar o tema da segurança pública. Eles defendem a classificação de facções criminosas como terroristas e acusam o governo de proteger criminosos — narrativa que deve se intensificar até as eleições.

O Planalto deseja projetar Lula como um líder capaz de atuar como estadista, conversando inclusive com adversários ideológicos. A oposição, enquanto isso, tentará explorar a tese de que a viagem mostra medo e fraqueza, para enfraquecer o discurso de soberania adotado pelo governo.

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