Em entrevista ao Valor publicada nesta quinta, 2, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que, se Lula for reeleito, um ajuste fiscal acontecerá em 2027. “Ajuste se faz no primeiro ano”, disse ele. Alckmin alega que houve avanços nas contas públicas, mas também reconhece que não foi suficiente.
Talvez tenha caído a ficha no governo sobre a necessidade cortar despesas públicas. Pode ser tarde demais para reverter o mau humor das famílias brasileiras com a economia, antes das eleições de 2026.
Renegociação de dívidas
No curto prazo, o que o governo oferece são medidas para aliviar o endividamento das famílias, conforme revelado pelo recém-empossado ministro da Fazenda, Dario Durigan. Atualmente, o fluxo de pagamentos de débitos aos bancos supera as concessões de novos empréstimos em 1,5% do PIB.
O novo programa de renegociação de dívidas deve sair ainda na primeira quinzena de abril, em parceria com o setor financeiro. Oferecerá descontos de até 80%, com os 20% restantes refinanciados em condições acessíveis. A iniciativa deverá ter foco em famílias de baixa renda (até três salários mínimos), incluindo contrapartidas como educação financeira para evitar novo endividamento.
Medidas paliativas e solução real
A revista V já chamou atenção para o fato de que os juros que sufocam famílias e negócios não resultam da teimosia do Banco Central. Decorrem dos gastos descontrolados e do endividamento crescente do governo federal. Medidas pontuais de crédito, como o programa em preparação, são apenas paliativas. Podem inclusive estimular o consumo, forçando o BC a manter a Selic elevada por mais tempo para conter o risco de inflação. Somente uma medida estrutural de ajuste fiscal trará alívio real, permitindo juros mais baixos de forma sustentável.
O aceno de Alckmin é positivo. O problema é que o PT de Lula não acredita de fato em controlar as contas públicas. Ele o faz apenas de maneira instrumental, em resposta a necessidades eleitorais. Não aceita que, sem esse ajuste, não há crescimento sustentável nas atuais circunstâncias da economia brasileira.




