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ECONOMIA

População endividada se prepara para ensinar uma lição ao PT

Equação petista para economia sempre foi colher dividendos eleitorais do endividamento irresponsável do governo. Desta vez, não vai dar certo

Há 182 dias • por Carlos Graieb
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Lula e o PT caminham para aprender de maneira amarga uma lição que repudiam desde que pisaram no Palácio do Planalto pela primeira vez. Trata-se de compreender que gasto público não é “vida”, como insistem em dizer, e que governos não podem se endividar ao infinito. 

O petismo resistiu a aceitar esses fatos porque não foi penalizado pela esbórnia fiscal em eleições passadas. 

Gasto público e juros altos

A gastança começou no segundo mandato de Lula (o primeiro foi disciplinado), mas sem produzir efeitos que machucassem imediatamente o bolso dos brasileiros. O presidente deixou o cargo com níveis recorde de aprovação. 

Sua sucessora, Dilma Rousseff, jamais fingiu acreditar na necessidade de gerir a economia com prudência. Adotou desde o início uma política que unia programas assistencialistas, incentivo ao consumo, subsídios generosos para todo tipo de atividade e juros elevados. Contratou, dessa forma, uma crise colossal. 

Mas a crise só explodiu depois de sua reeleição, em 2014. Mas, como veio casada com a Lava Jato, o grande espetáculo da corrupção impediu que a tragédia econômica ocupasse o centro do palco. Com isso, o PT não aprendeu nada, nem esqueceu nada, no plano da economia.

Ciclos eleitorais

O governo Lula 3 traz a mesma combinação de gastança com juros estratosféricos do governo Dilma 1. Quem quiser entender como é possível colher dividendos políticos dessa equação, dentro de um ciclo eleitoral, deve ler o artigo publicado nesta quinta, 26, pelos economistas Pedro Cavalcanti Ferreira e Renato Fragelli Cardoso.  

Os autores mostram que esse tipo de política econômica pode beneficiar largas faixas do eleitorado de três maneiras: aumentando salários no setor de serviços (onde grande parcela dessa população está ocupada); contendo os preços da alimentação e de outros bens de consumo básico; e transferindo renda por meio de programas assistenciais, como Bolsa Família ou Gás Para Todos.

O problema é que essa equação não é sustentável por longos períodos de tempo. Acaba resultando em retração da economia, em recessão como a de 2015-2016, a maior da história brasileira.

Sem dúvida, Lula 3 esperava preparar o terreno para uma vitória nas urnas como a de Dilma 1. Desta vez, no entanto, as peças não se encaixaram adequadamente. 

Juros e endividamento

A causa imediata está nos juros. Durante todo o governo, eles jamais foram inferiores a 10,5% – e se mantiveram em 15% por nada menos que nove meses. No primeiro mandato de Dilma, a média também foi alta, mas não tanto. Entre outubro de 2012 e junho de 2013, por exemplo, os juros foram de “apenas” 7,25%. 

A resposta dos petistas é dizer que se os juros são altos, a culpa é do Banco Central. Nesta semana, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, foi pressionado e constrangido por Lula durante uma reunião. 

Trata-se de uma falácia. O BC não consegue baixar os juros por causa do endividamento monstruoso do governo – e porque o Planalto não dá sinal nenhum de que pretende resolver esse problema. Em 2013, a dívida bruta do governo geral estava em 51% do PIB. Nos últimos três anos, saltou de 70% para 80% do PIB. A estimativa é que chegue a 82% no final de 2026.

Juros elevados por um período tão longo fizeram com que cerca de 80% das famílias brasileiras estejam não somente endividadas, mas passando por dificuldades para quitar os compromissos.  

Nesta quinta, o BC divulgou seu Relatório de Política Monetária (RPM). Ele traz a seguinte constatação sobre 2025: “O comprometimento da renda com pagamentos de operações de crédito (…) alcançou nível recorde no quarto trimestre”. 

A equação econômica do petismo não produziu bem estar desta vez. Os eleitores não se sentem confiantes em relação ao futuro. A seis meses da eleição, será difícil reverter essa situação. Há chances reais de que o presidente não renove o mandato, porque seu modelo de condução da economia, que nunca foi capaz de produzir desenvolvimento a longo prazo, desta vez falhou também no timing eleitoral. A culpa é toda de Lula, não do BC.

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