O modelo de previsão de comportamento eleitoral mais utilizado é conhecido como “espacial”. Nele, supomos ser possível distribuir todos os eleitores em uma linha de acordo com seu posicionamento ideológico, com o mais à direita e o mais à esquerda ocupando os extremos.
Nesse modelo, ganha a eleição quem conseguir o voto do eleitor mediano, aquele que está exatamente no meio e tem a mesma quantidade de eleitores à sua esquerda e à sua direita.
Mas note, isso não significa que esse eleitor está no centro político. Ele pode estar mais deslocado para a esquerda ou para a direita, dependendo da conjuntura.
Independentes
De todo modo, esse é o eleitor que todos buscam para calibrar o discurso. Nas pesquisas eleitorais, ele tem sido chamado de “eleitor independente”.
Os partidos buscam se posicionar em torno do eleitor mediano com propostas e medidas, mas essa percepção é relativa.
Por exemplo, o PSDB sempre foi um partido de centro-esquerda. No entanto, como o PT conseguiu se tornar referência dominante nesse campo, empurrou os tucanos para o lado e o partido de FHC passou a ser visto como sendo de direita, mesmo não sendo.
Ou seja, se avalia o que um partido ou um candidato é pelo que ele apresenta e pelo seu posicionamento em relação aos outros partidos e candidatos.
Novas perspectivas
Nesse sentido, a desistência de Ratinho Jr. mexe muito com o tabuleiro porque altera como o eleitor vai enxergar suas opções.
Se Eduardo Leite – que se define como progressista-conservador – se tornar o candidato do PSD, empurrará Flávio Bolsonaro para a direita e para mais longe do eleitor mediano.
Aos olhos dos eleitores, serão dois candidatos de centro-esquerda contra um de direita. Flávio vai parecer mais radical.
Se o candidato foi Ronaldo Caiado, ele tende a se posicionar mais à direita, dando a oportunidade de Flávio Bolsonaro caminhar para o centro. Nesse caso, serão dois candidatos de direita contra um de esquerda, mas Flávio terá a oportunidade de parece moderado.
Se Ronaldo Caiado se dispuser a fazer críticas duras ao presidente Lula e tratar fundamentalmente da pauta de segurança pública, não vai deixar dúvidas de que é um candidato de direita puro-sangue. Em tese, isso abrirá uma chance para o filho 01 se deslocar para o centro.
Promessas de Lula
Aí vem a pergunta: “mas isso não seria perigoso para Flávio Bolsonaro, considerando que ele poderia perder eleitores mais à direita?” Não, em razão da “calcificação” do bolsonarismo como movimento político. Flávio tem fidelidade de perto de 25% dos eleitores.
Mas veja, a chegada de Caiado dará uma chance de Flávio de apresentar como moderado, coisa que ele está buscando. Se vai conseguir, é outra história.
E Lula? Ele também pode buscar eleitores de centro que não terão a “tentação” de votar em Ratinho Jr..
Mas o seu problema é o envelhecimento ruim de uma promessa feita em 2022, de fazer um governo moderado e com “pouco PT”. Sabendo hoje que Lula permaneceu à esquerda, ele receberá um novo voto de confiança do eleitor ressabiado apenas se este não sentir firmeza nos outros candidatos.
Por último, outra indagação para ajudar a responder qual cenário é melhor para Lula e para Flávio Bolsonaro. Quem Eduardo Leite apoiaria em um segundo turno sem ele? Lula ou Flávio? Quem Ronaldo Caiado apoiaria?




