O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, participou nesta quarta-feira da segunda edição do Brasil de Ideias Mulher – Especial Eleições, iniciativa promovida pelo Grupo VOTO em parceria com o Clube da Lu para ampliar a presença feminina no debate público e aproximar lideranças empresariais das principais candidaturas ao Palácio do Planalto. O evento foi conduzido pela presidente do Grupo VOTO, Karim Miskulin, e pela fundadora do Clube da Lu, Luciana Chelegão. A abertura contou ainda com a participação de Mônica Cury, candidata do Novo à Assembleia Legislativa de Minas Gerais, e de Marina Helena, candidata do partido à Câmara dos Deputados, que destacaram a importância de ampliar a presença feminina nos espaços de liderança e decisão.
Ao abordar políticas voltadas às mulheres, Zema defendeu que a ampliação da participação feminina em posições de comando depende menos de cotas e mais de processos seletivos baseados em mérito. Como exemplo, citou a experiência de seu governo em Minas Gerais, onde afirmou ter ampliado a presença de mulheres em cargos estratégicos, nomeado mais desembargadoras, expandido as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e criado mecanismos de proteção às vítimas de violência doméstica, como o monitoramento de agressores por tornozeleira eletrônica integrada a um aplicativo de alerta. Também defendeu punições mais severas para crimes de feminicídio, redução da maioridade penal e castração química para determinados condenados por crimes sexuais, além de ações preventivas nas escolas para identificar e combater ciclos de violência.
Michelle como vice?
Antes do evento, em entrevista coletiva, Zema também comentou a formação de sua chapa presidencial. Questionado sobre a escolha do candidato a vice-presidente, afirmou que a definição ainda não foi feita. O ex-governador acrescentou que não manteve qualquer reunião ou conversa com Michelle Bolsonaro, rebatendo especulações recentes de que a ex-primeira-dama poderia integrar sua chapa na disputa presidencial.
Balanço de governo
Em sua exposição inicial, Zema explicou que sua entrada na política foi consequência direta da crise econômica de 2015 e 2016. Empresário do setor varejista, relatou que precisou demitir cerca de 2.500 funcionários após uma queda de quase 40% nas vendas, experiência que classificou como um dos momentos mais difíceis da sua vida. Segundo ele, foi essa percepção dos efeitos da deterioração econômica sobre empresas e trabalhadores que o levou a aceitar o convite para ingressar no Novo e disputar o governo de Minas Gerais.
Ao fazer um balanço de sua gestão, o candidato afirmou ter assumido um estado em grave crise fiscal e administrativa, com salários parcelados, obras paralisadas e dificuldades para manter serviços básicos. Disse que promoveu uma reorganização baseada em “gente, metas e gestão”, reduzindo o número de secretarias e de cargos, equilibrando as contas públicas e criando condições para retomar investimentos em infraestrutura, saúde e logística. Também destacou a geração de empregos formais, o aumento da participação mineira no PIB nacional e a reversão do fluxo migratório, sustentando que Minas voltou a atrair trabalhadores e investimentos.
Três grandes choques
Projetando essa experiência para um eventual governo federal, Zema afirmou que pretende promover três grandes “choques”. O primeiro seria um choque ético e moral, voltado ao combate à corrupção e ao fortalecimento da responsabilidade das lideranças públicas. O segundo seria um choque fiscal, com reforma administrativa, nova reforma da Previdência, privatizações e revisão dos programas sociais. O terceiro seria um choque de segurança pública, inspirado em medidas adotadas por El Salvador, com endurecimento do combate às facções criminosas, construção de presídios e enquadramento dessas organizações como grupos terroristas.
Na conversa conduzida por Karim Miskulin, o candidato aprofundou temas centrais de sua plataforma econômica. Defendeu uma agenda liberal baseada na redução do chamado Custo Brasil, argumentando que “as políticas do governo brasileiro querem apenas aliviar sofrimentos, em vez de fomentar desenvolvimento”. Para Zema, a queda dos juros, a simplificação do ambiente de negócios, a redução da burocracia, dos encargos trabalhistas e da carga tributária dependem de um Estado mais eficiente. Sua proposta é estabelecer uma meta permanente de ganho de produtividade de 1% ao ano na administração pública, permitindo que a economia obtida seja revertida gradualmente em redução de impostos.
Revisão de programas sociais
No mesmo contexto, defendeu uma ampla revisão dos programas sociais. Embora tenha afirmado considerar essas políticas fundamentais, sustentou que elas convivem com elevados níveis de fraude e distorções. Entre as medidas propostas está a suspensão do Bolsa Família para beneficiários que recusem três ofertas formais de emprego, mecanismo que, segundo ele, estimularia a reinserção no mercado de trabalho e contribuiria para reduzir despesas públicas. Essa revisão integraria o conjunto de medidas destinadas a recuperar o equilíbrio das contas públicas e criar condições para a queda estrutural dos juros.
Questionado sobre a relação com o Congresso, Zema afirmou que sua experiência em Minas demonstrou ser possível construir maioria parlamentar sem recorrer ao tradicional “toma lá, dá cá”. Como exemplo, explicou que seu governo organizou um catálogo de obras e projetos considerados estratégicos para o estado. Os deputados continuavam livres para indicar suas emendas, mas, ao destinarem recursos para essas iniciativas, cada R$ 1 aportado pelo parlamentar era complementado por R$ 2 do governo estadual. Segundo ele, o mecanismo alinhava as emendas às prioridades da administração e incentivava os parlamentares a investir em projetos estruturantes, em vez de iniciativas de caráter exclusivamente paroquial.
21 ou 22 ministérios
Ao tratar dos primeiros meses de um eventual governo, Zema reiterou que suas prioridades seriam implementar os três “choques” apresentados durante a palestra, argumentando que a recuperação da confiança dos investidores reduziria o custo da dívida pública e abriria espaço para investimentos em outras áreas. Disse ainda que pretende reduzir a estrutura ministerial dos atuais 39 ministérios para cerca de 21 ou 22 pastas e montar uma equipe baseada em critérios técnicos, aberta à contribuição de diferentes partidos, mas sem aceitar indicações políticas desprovidas de justificativa técnica.




