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A política e a arte do impossível

A histórica vitória de Lula e as lições de uma eleição que surpreendeu o Brasil

Há 1 hora • por Karim Miskulin
A política e a arte do impossível
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato de campanha realizado na Avenida Paulista, São Paulo (SP).Foto: Ricardo Stuckert
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4:25

Hoje, o Brasil acordou, mais uma vez, dividido. E talvez ainda mais dividido.

De um lado, milhões de brasileiros chorando, perplexos, tentando entender o que aconteceu. Do outro, milhões festejando, comemorando a vitória de uma estratégia que, em menos de dez dias, transformou o que parecia impossível em realidade.

A histórica e, para muitos, impensável vitória do presidente Lula para o seu quarto mandato nos traz algumas importantes lições sobre a política.

E é exatamente por isso que eu gosto tanto de política. Porque, na política, nada é definitivo.

A política é um organismo vivo. É algo que vai muito além da ciência, da tecnologia, dos números e da capacidade dos especialistas de compreender e antecipar os movimentos da sociedade.

A política mexe com paixão. A mesma paixão que vemos na religião, no futebol. Aquela paixão que move as pessoas, que desperta sentimentos profundos e que, muitas vezes, desafia qualquer lógica.

E essa eleição deixou muito claro que essa paixão é praticamente impossível de ser detectada, tanto pelos institutos de pesquisa quanto pelas ferramentas tecnológicas que monitoram os movimentos das redes sociais.

Mas essa eleição também nos traz outra reflexão importante: a reeleição é uma instituição muito complicada. Para não dizer injusta.

Porque um candidato que tem a máquina pública nas mãos possui instrumentos e vantagens absolutamente mais poderosos do que aqueles quem disputam uma eleição na oposição.

E, usando as palavras do próprio presidente Lula, “um governante precisa ser muito incompetente para perder uma eleição com a máquina nas mãos”.

Essa é uma discussão que o Brasil precisa enfrentar. Precisamos refletir sobre o quanto o instituto da reeleição realmente contribui para o equilíbrio da disputa democrática. Afinal, democracia pressupõe alternância no poder.

Mas há uma segunda lição, talvez ainda mais importante.

Mesmo para aqueles que hoje se sentem derrotados, é fundamental lembrar que vivemos, sim, numa democracia. E que o resultado das urnas precisa ser respeitado.

E, acima de tudo, quero reforçar algo que sempre digo: os governos, evidentemente, afetam as nossas vidas. Mas os governos não definem os nossos caminhos.

O que define o nosso sucesso, o nosso futuro e a nossa capacidade de vencer é, antes de tudo, a nossa própria vontade. A nossa força de trabalhar, de construir, de seguir em frente e de não desistir.

E, independentemente de quem tenha vencido, precisamos torcer para que a maioria dos brasileiros tenha feito a melhor escolha.

Lula terá, no meu ponto de vista, o mais difícil de todos os seus mandatos.

Vai encontrar desafios que talvez nunca tenha enfrentado antes.

Um mundo em profunda turbulência, com enormes incertezas geopolíticas e econômicas. Um Brasil absolutamente dividido, marcado pela violência, pela insegurança e pela estagnação econômica.

E, pela primeira vez, terá que governar diante de um Congresso Nacional majoritariamente composto por forças políticas de oposição ao seu governo.

Não será uma tarefa fácil.

Mas Lula já demonstrou, ao longo de sua trajetória, uma extraordinária habilidade política. Uma capacidade de negociação, de articulação e de construção de caminhos mesmo nos cenários mais adversos.

E é essa habilidade que esperamos que ele coloque, agora, a serviço do Brasil.

Que consiga encontrar caminhos para, por mais difícil que seja, unir este país. Precisamos, desesperadamente, de um pouco de paz.

E, sobretudo, que o Brasil consiga mostrar ao mundo que é capaz de superar suas divergências, suas divisões ideológicas e suas disputas políticas para unir forças em torno de um objetivo maior: o desenvolvimento e a pacificação do país.

Porque, no final das contas, a eleição termina. Mas o Brasil precisa seguir em frente!

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