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Starmer renuncia no Reino Unido; saiba quem é seu provável sucessor

Com popularidade baixa e oposição dentro do próprio partido, o trabalhista abre espaço para a possível ascensão do carismático Andy Burnham

Há 96 dias • por Da Redação
Starmer renuncia no Reino Unido; saiba quem é seu provável sucessor
Keir Starmer. Foto: Lauren Hurley / No 10 Downing Street
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6:09

Menos de dois anos depois de conduzir o Partido Trabalhista a uma vitória histórica, que encerrou 14 anos de governos conservadores, Keir Starmer anunciou sua renúncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido. A decisão, comunicada nesta segunda, 22, diante da residência oficial de Downing Street, encerra um mandato marcado por expectativas elevadas, resultados econômicos modestos e crescente insatisfação dentro de sua própria legenda.

Starmer permanecerá no cargo até a escolha de um novo líder trabalhista, prevista para setembro, mas um nome já desponta como provável sucessor: Andy Burnham, ex-ministro dos governos de Tony Blair e Gordon Brown e atual prefeito da Grande Manchester.

Sete trocas de governo em dez anos

Em um discurso breve, Starmer reconheceu que perdu a confiança de parte significativa da bancada parlamentar trabalhista. “A questão que meu partido levantou é se sou a pessoa mais bem posicionada para liderá-lo na próxima eleição geral”, afirmou. “Ouvi a resposta e a aceito com serenidade.” A renúncia evita uma disputa interna potencialmente traumática, mas confirma a fragilidade de um governo que chegou ao poder com ampla maioria parlamentar e rapidamente viu sua popularidade se deteriorar.

A saída de Starmer devolve o Reino Unido à instabilidade. O país terá agora seu sétimo primeiro-ministro desde o referendo do Brexit, em 2016. Embora mudanças de liderança sejam mais simples em sistemas parlamentaristas do que em regimes presidenciais, a frequência dessas trocas alimenta a percepção de um sistema político incapaz de produzir lideranças duradouras ou consensos de longo prazo.

No Reino Unido, adversários do Partido Trabalhista tentam explorar o momento. Nigel Farage, líder populista do partido de direita Reform UK e principal beneficiário do desgaste dos trabalhistas nas pesquisas recentes, exigiu a convocação de eleições gerais antecipadas, argumentando que o país não deveria aceitar mais uma troca de primeiro-ministro sem consulta aos eleitores.

Na legenda de Starmer, porém, prevalece o propósito de buscar uma reconstrução. Lideranças sindicais e parlamentares apresentam a renúncia como uma oportunidade para renovar a conexão do partido com sua base social e recuperar terreno diante do avanço da direita populista.

Repercussão

No exterior, as reações revelaram a importância que Starmer havia conquistado na diplomacia europeia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou seu papel na reconstrução das relações entre Londres e Bruxelas após anos de tensão provocados pelo Brexit e elogiou seu apoio à Ucrânia. Ex-líderes europeus fizeram avaliações semelhantes, ressaltando que o premiê ajudou a devolver o Reino Unido ao debate estratégico do continente.

Os mercados reagiram com relativa calma. A libra esterlina registrou leve queda de início, mas logo passou a recuperar as perdas. A ausência de turbulência financeira reflete a expectativa de continuidade das principais diretrizes econômicas, muito embora o perfil econômico do provável sucessor Andy Burnham seja menos conhecido.

Andy Burnham

Ex-ministro dos governos de Tony Blair e Gordon Brown, atual prefeito da Grande Manchester e recém-eleito para o Parlamento pelo distrito de Makerfield, ele já confirmou que disputará a liderança trabalhista. Mais importante: recebeu o apoio de Wes Streeting, ex-ministro da Saúde e único nome que poderia organizar uma candidatura competitiva contra ele. A decisão praticamente elimina a possibilidade de uma disputa interna prolongada e sugere que Burnham possa assumir o governo antecipadamente — talvez já em julho.

Aos 56 anos, Burnham representa um contraste quase perfeito com Starmer. Filho de um engenheiro telefônico e de uma recepcionista médica, criado no norte da Inglaterra, construiu sua reputação como político próximo do eleitor comum, comunicador habilidoso e defensor das regiões fora do eixo londrino. Durante a pandemia, tornou-se figura nacional ao desafiar restrições impostas pelo governo central que, segundo ele, prejudicavam desproporcionalmente o norte do país.

Seus apoiadores acreditam que ele possui justamente o atributo que faltava a Starmer: capacidade de mobilizar emocionalmente os eleitores e enfrentar o crescimento de Nigel Farage.

Depois de anos administrando a Grande Manchester, Burnham cultivou a reputação de ser pragmático. É descrito como um político otimista e carismático, capaz de traduzir políticas públicas complexas em narrativas compreensíveis para o eleitorado.

Causas da queda

Embora Starmer tenha chegado ao poder em 2024 com ampla maioria parlamentar, o governo jamais conseguiu converter esse capital político em entusiasmo popular. O crescimento econômico permaneceu anêmico, o custo de vida continuou pressionando as famílias e o trabalhismo sofreu derrotas importantes em eleições locais e regionais realizadas em maio. Esses resultados convenceram muitos parlamentares de que o partido caminhava para uma derrota na próxima eleição geral.

A situação foi agravada por controvérsias políticas. A mais danosa envolveu a indicação de Peter Mandelson para o posto de embaixador nos Estados Unidos, decisão que gerou forte desgaste devido às ligações do veterano trabalhista com Jeffrey Epstein. Paralelamente, Starmer passou a ser visto como um líder excessivamente cauteloso, propenso a recuos e incapaz de impor uma direção clara ao governo. Sua popularidade despencou, tornando-o um dos primeiros-ministros mais impopulares da história recente britânica.

Mas há também problemas estruturais: baixo crescimento econômico, elevado endividamento público e um eleitorado cada vez mais impaciente com governos incapazes de produzir resultados rápidos.

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