O presidente Lula confirmou na manhã desta terça, 31, que Geraldo Alckmin seguirá como seu companheiro de chapa na disputa pela reeleição. O anúncio ocorre depois de semanas de especulação sobre a possível troca de Alckmin, hoje no PSB, por nome de outro partido, como o MDB. Foi feito durante a última reunião ministerial antes do fim do prazo de desincompatibilização. Titulares de pastas que pretendem disputar votos em outubro devem deixar o cargo atual até sábado, 4.
Frente fake
Alckmin desempenhou papel importante na eleição de 2022, ao sinalizar que Lula buscaria um governo de “frente ampla”. Durante décadas em campos opostos, os dois se uniram de forma surpreendente em meio à polarização entre PT e bolsonarismo, o que conferiu à candidatura de Lula um ar de moderação e abertura ideológica. O movimento pode ter sido crucial numa eleição que foi vencida por margem mínima.
Não é certo, porém, que o mesmo efeito se repita agora. A composição deixou de ser novidade e, sobretudo, o governo não correspondeu à promessa de diálogo mais amplo. Embora tenha distribuído espaços a partidos como o PSD e o União Brasil, Lula não mudou nada de substantivo em seu ideário. A fórmula utilizada foi a do loteamento administrativo, bem longe do espírito mais ambicioso de uma frente ampla programática.
Sinais de infidelidade
Por algum tempo, a permanência de Alckmin na vice esteve em dúvida. Houve movimentos para deslocá-lo para a disputa pelo governo de São Paulo, missão que acabou atribuída a Fernando Haddad. Ou para uma candidatura ao Senado pelo mesmo estado, tarefa entregue a Simone Tebet. O próprio Alckmin deixou claro que nenhuma dessas alternativas o atraía e que preferiria encerrar a carreira política se precisasse escolher entre elas.
Por trás dessas articulações havia dois objetivos: fortalecer o palanque paulista com um nome enraizado localmente e abrir a vice para uma nova aliança, possivelmente com o MDB. A manobra, no entanto, implicaria uma injustiça com um aliado que teve atuação relevante no governo, tanto como vice, quanto à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Alckmin conduziu diálogos com o empresariado, sempre desconfiado em relação ao PT, e nas negociações com os Estados Unidos, durante a crise do tarifaço de 2025.
No fim, Lula e o PT parecem ter concluído que a substituição de Alckmin não replicaria os ganhos de 2022. Também desgastaria as relações com o PSB. Sem novidades na chapa, Lula terá de convencer um eleitorado pressionado por endividamento e sem horizonte claro de melhora de vida de que merece um novo mandato.
Saída de ministros
A confirmação da chapa ocorre em paralelo à saída de integrantes do governo que pretendem disputar as eleições. Segundo o próprio presidente, ao menos 18 ministros devem deixar seus cargos no prazo legal de desincompatibilização. Isso abre espaço para uma reforma administrativa que servirá como novo teste de equilíbrio na reta final deste mandato.




