As eleições têm a capacidade de mobilizar o país em torno de diferentes visões de futuro. Mas, quando as urnas se fecham, começa uma etapa ainda mais importante: transformar promessas em prioridades e fazer com que elas se traduzam em resultados concretos para a população. Para o Executivo e o Legislativo que emergirem das eleições de 2026, o caminho deve partir do que os indicadores revelam sobre os principais desafios do Brasil. Em um país de recursos limitados e problemas enormes, governar não pode significar fazer escolhas apenas a partir da intuição, da pressão política ou da agenda do momento. É preciso tomar decisões a partir da realidade.
O Ranking de Competitividade dos Estados 2026, divulgado em agosto pelo CLP, ajuda a enxergar esse cenário. Mais do que identificar quem está na frente ou atrás, o estudo permite compreender onde houve avanço, onde perdemos terreno e quais experiências podem servir de referência. Ao colocar essas informações lado a lado, criamos condições para que gestores aprendam com o que funciona e encontrem caminhos para oferecer serviços melhores e ampliar as oportunidades para a população.
Mudanças de posição
A edição deste ano mostra um país em movimento. Vinte e uma das 27 unidades da Federação mudaram de posição. Pela primeira vez, São Paulo deixou a liderança, ocupada agora por Santa Catarina, primeiro lugar em quatro dos dez pilares avaliados: Capital Humano, Potencial de Mercado, Segurança Pública e Sustentabilidade Social. Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Piauí também chegaram às melhores colocações de suas séries históricas: quarto, quinto, 15º e 19º lugares.
Mas talvez a informação mais relevante para os próximos governantes esteja menos na classificação e mais no que existe por trás dela. A evolução da mediana das notas dos 27 estados nos dez pilares oferece pistas importantes sobre onde concentrar esforços a partir de 2027.
Sem espaço para acomodação
Há boas notícias. Potencial de Mercado apresentou o maior avanço, passando de 39,44 para 56,04 pontos, alta de 42,1%. O resultado reflete um ambiente econômico mais favorável, com mercado de trabalho aquecido, maior dinamismo das economias estaduais e fatores como crescimento, acesso ao crédito e expansão potencial da força de trabalho. Sustentabilidade Ambiental também cresceu de forma expressiva, 30,7%. Educação avançou 3,4% e Inovação, 1,4%.
São números positivos, mas que não autorizam acomodação. Na educação, ainda estamos longe de resolver deficiências que comprometem a produtividade e as oportunidades de milhões de brasileiros. O mesmo vale para inovação. Em uma economia transformada pela tecnologia e pela inteligência artificial, avançar pouco significa correr o risco de ficar para trás.




