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ECONOMIA

O perigo da reciprocidade: revanchismo é armadilha para o Brasil

Se aplicar tarifas de vingança contra produtos americanos, governo brasileiro não punirá Washington, mas o mercado doméstico

Há 71 dias • por Da Redação
O perigo da reciprocidade: revanchismo é armadilha para o Brasil
Sede em Brasília da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos. Foto: Divulgação/Apex
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A reação do Ministério da Fazenda ao sugerir o uso da “Lei de Reciprocidade Econômica” como resposta ao tarifaço de 25% imposto pelos EUA é um equívoco técnico e estratégico preocupante. No comércio internacional, retaliar com o fígado em vez de negociar com a cabeça é uma receita certeira para o isolamento.

Ao aplicar tarifas de vingança contra produtos americanos, o governo brasileiro não pune Washington, pune o próprio mercado doméstico. Essa medida encarece insumos vitais para a nossa indústria, asfixia empresas importadoras e destrói empregos na cadeia logística e portuária nacional.

Potências comerciais modernas utilizam suas importações de forma inteligente para criar dependência mútua, relevância e poder de barganha, e não para travar disputas emocionais de palanque. O protecionismo contemporâneo não se combate com revanchismo ou notas de repúdio, mas com inteligência comercial, presença nos centros de decisão e o protagonismo da diplomacia corporativa privada.

O Brasil precisa de pragmatismo, e não de mais barreiras que onerem o bolso do nosso próprio produtor e consumidor.

*Márcio Coimbra, especialista em relações institucionais, é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia.

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