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ECONOMIA

O espaço diferenciado do Brasil no mercado do ‘novo luxo’

Consumo de marcas de luxo segue forte no país, enquanto consumidor de alta renda de outros países se volta para experiências e bem-estar

Há 190 dias • por Da Redação
O espaço diferenciado do Brasil no mercado do ‘novo luxo’
Bolsa Louia Vuitton: consumidor brasileiro de produtos de luxo tem perfil particular. Foto: Reprodução
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O mercado de luxo global está atravessando o que especialistas chamam de uma “grande correção”. Após um ciclo de crescimento frenético e aumentos agressivos de preços, o setor entrou em 2026 buscando recalibrar-se. Volume de vendas continua sendo um indicador fundamental, mas a busca por significado, bem-estar e autenticidade agora está no centro das preocupações.

Situação sui generis

Nesse cenário, o Brasil apresenta uma situação sui generis. Enquanto o mercado global de bens de luxo projeta um crescimento de 3% em 2026, o avanço no Brasil deve ser de 6% neste anos e 7% próximo. Os números são da Euromonitor, que lança relatórios anuais sobre esse segmento.  A consultoria fez um recorte de dados sobre o Brasil, apresentado no evento LuxuryLab Global, que aconteceu nesta semana em São Paulo.

Três fatores diferenciam o Brasil. Primeiro, a expansão do varejo premium em cidades além do eixo Rio-São Paulo criou nos últimos anos uma base de consumo resiliente. Em segundo lugar, o brasileiro mantém uma relação emocional e aspiracional forte com as marcas de luxo, servindo como um porto seguro para investimentos de grandes players globais que buscam diversificar seus riscos fora da China e dos EUA. Por fim, o câmbio reduziu o número de viagens para o exterior e incentivou empresas estrangeiras e brasileiras a abrir negócios no país para um público afluente.

Retorno sobre investimento

Nada disso significa que os brasileiros ficarão alheios às novas tendências do luxo. Enquanto a Euromonitor fala em “novo luxo”, McKinsey e Business of Fashion usam o conceito de “luxo recalibrado” no estudo The State of Fashion 2026. São formas diferentes de descrever um mesmo fenômeno: a busca dos consumidores por valor real e não apenas exclusividade.

Isso significa que o luxo migrou para a esfera das experiências, da saúde e da longevidade. O bem-estar tornou-se o último símbolo de status, impulsionando setores como o turismo de isolamento, a hospitalidade premium e a medicina de precisão. O status não é mais medido pelo que se tem no closet, mas pelo Retorno Emocional sobre o Investimento – jogo de palavras da Euromonitor com o conceito de ROI (Retorno sobre Investimento), que vem das finanças.  

AI Shoppers

Curiosamente, há um espaço garantido para a inteligência artificial nesse “novo luxo”. Ele se dá pela ascensão dos “AI Shoppers” – agentes autônomos que começarão a se disseminar em 2026, oferecendo a curadoria de jornadas inteiras de consumo. Segundo o relatório The State of Fashion isso vai possibilitar a personalização de experiências em nova escala. Para as marcas de luxo, a IA será também um motor de eficiência operacional, otimizando desde o design até a previsão de demanda em um mercado que hoje se mostra volátil.

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