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ECONOMIA

O desafio de Celina Leão: salvar o BRB

Vice de Ibaneis Rocha, recém-empossada como governadora, herdou crise do banco, que tem rombo bilionário, mas ainda nebuloso, no caixa

Há 177 dias • por Da Redação
O desafio de Celina Leão: salvar o BRB
Celina Leão, na sua cerimônia de posse como governadora: "salvar BRB não é questão ideológica". Foto: Divulgação/Agência CLDF
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Celina Leão (Progressistas-DF) tomou posse como governadora do Distrito Federal nesta semana, após a saída de Ibaneis Rocha (MDB-DF) para disputar as eleições de 2026, e recebeu como herança a crise do Banco Regional de Brasília (BRB). A situação financeira da instituição é nebulosa, devido às perdas causadas pelo seu envolvimento com o Banco Master. Na segunda, 30, ela anunciou o adiamento da entrega dos balanços de 2025, fugindo aos prazos regulatórios. Estimativas sobre o rombo vão de R$ 6,6 bilhões a R$ 13,3 bilhões, a depender das auditorias independentes. Até mesmo a hipótese de quebra entrou no radar, embora o mercado ainda a considere remota.

Busca de apoio

Em suas primeiras declarações no novo cargo, a governadora afirmou que buscará apoio político amplo e auxílio institucional, inclusive junto à Caixa Econômica Federal e ao governo federal, para salvar o banco. Segundo ela (que faz oposição ao presidente Lula), a recuperação do BRB exige cooperação “acima de ideologias”. A estratégia inclui reforço de transparência e ajustes fiscais no DF, para a recomposição de confiança .

Aumento de pressão

A situação do banco se agravou nos últimos dias. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) respondeu nesta quarta, 1, a um pedido de socorro de R$ 4 bilhões feito ainda por Ibaneis Rocha. A análise da entidade está em fase inicial. Mas ela antecipa que exigências rigorosas vão condicional a conceção de qualquer empréstimo. Entre elas, apresentação de plano de negócios, garantias – como ações de estatais locais – e medidas concretas de saneamento financeiro. As negociações são descritas como longas e dependentes da formação de um pool com bancos privados. Isso aumentando a incerteza sobre prazos e a viabilidade do aporte .

Ao mesmo tempo, novos documentos do Tribunal de Contas da União elevaram a pressão sobre a gestão do BRB. Segundo os relatórios, o banco manteve operações com o Banco Master mesmo após alertas claros, desde 2024, sobre problemas de liquidez e indícios de irregularidades na instituição comandada por Daniel Vorcaro.

Além do prejuízo bilionário, o BRB enfrenta riscos regulatórios imediatos. O atraso na divulgação dos balanços pode gerar multas diárias de até R$ 51 mil, somando sanções do Banco Central e da CVM. O descumprimento prolongado da exigência pode levar até mesmo à suspensão do registro como companhia aberta.

Plano de capitalização

Para evitar um colapso, o banco tenta avançar em um plano de capitalização. Está prevista para 22 de abril uma assembleia deliberativa sobre a emissão de até 1,675 bilhão de ações. Ela poderia elevar o capital do banco para R$ 11,2 bilhões. O prazo final estabelecido pelo BC para a recomposição de capital é 5 de agosto de 2026 .

A crise do BRB é uma das mais graves do sistema financeiro recente e atinge fundos de pensão e outras instituições. Para Celina Leão, o desafio é simultaneamente técnico e político: reconstruir a solvência do banco, restaurar a credibilidade no mercado e evitar que a crise se transforme em um problema sistêmico de maiores proporções.

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