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ECONOMIA

MapBiomas registra 4 décadas de mudança no uso da terra

Entre 1985 e 2026, Brasil perdeu 14% da cobertura vegetal, convertidos sobretudo para a agropecuária

Há 44 dias • por Da Redação
MapBiomas registra 4 décadas de mudança no uso da terra
Vegetação do cerrado na região do Vão do Uruçuí, nos Gerais de Balsas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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O Brasil chega a 2025 com menos vegetação nativa, mais área ocupada pela agropecuária e um território profundamente transformado em relação ao de quatro décadas atrás. É o que mostra a nova Coleção 11 do MapBiomas, divulgada nesta quarta-feira, 12, com dados sobre cobertura e uso da terra entre 1985 e 2025.

Há 41 anos, a vegetação nativa cobria 79% do território brasileiro. No ano passado, essa participação havia recuado para 65%. No mesmo intervalo, a área destinada à agropecuária avançou de 18% para 32% do país. Cerca de um terço do território passou por pelo menos uma mudança de cobertura ou de uso da terra ao longo do período analisado. Na comparação direta entre 1985 e 2025, 241 milhões de hectares aparecem classificados de maneira diferente; 56% dessa área corresponde à conversão de vegetação nativa para usos agropecuários.

Amazônia e Cerrado

Os números ajudam a dimensionar uma transformação que não ocorreu de forma homogênea. Amazônia e Cerrado lideram as perdas absolutas de vegetação nativa, com reduções de 53,9 milhões e 51,7 milhões de hectares, respectivamente. Proporcionalmente, porém, Cerrado e Pampa foram os mais atingidos: perderam 34% e 32% de sua cobertura nativa ao longo das quatro décadas. A Mata Atlântica terminou 2025 com apenas 32% de vegetação nativa.

Também chama atenção a mudança na composição do uso agropecuário. A agricultura passou de 18,6 milhões de hectares, em 1985, para 66,5 milhões em 2025. A soja, isoladamente, saltou de 4,5 milhões para 44,2 milhões de hectares. As pastagens chegaram a 165,6 milhões de hectares e continuam representando mais da metade da área agropecuária brasileira.

Florestas e estados

Em termos de tipos de vegetação, a perda absoluta foi maior nas formações florestais, que encolheram em cerca de 65 milhões de hectares. As formações savânicas perderam aproximadamente 46 milhões de hectares e os campos alagados, 6,3 milhões. Mas, proporcionalmente, as savanas foram mais atingidas: perderam cerca de 30% de sua extensão no período.

A transformação também aparece no mapa dos estados. Entre 1985 e 2025, 25 estados e o Distrito Federal reduziram a participação da vegetação nativa em seus territórios. O Rio de Janeiro foi a única exceção identificada pelo levantamento, com aumento de 1%. Rondônia figura entre os casos mais expressivos: a vegetação nativa passou de 92% para 59% de seu território. Maranhão caiu de 91% para 61%; Mato Grosso e Tocantins, de 90% para 61%.

El Niño

A principal novidade da divulgação, no entanto, é o cruzamento dos dados de cobertura da terra com informações do MapBiomas Atmosfera, para observar a resposta dos diferentes biomas a episódios intensos de El Niño, em 1997/98, 2015/16 e 2023/24. A análise se concentrou especialmente nos meses de setembro a novembro e procurou identificar alterações nos padrões de chuva em regiões com diferentes tipos de cobertura.

A Amazônia foi o bioma com maior déficit de precipitação nos três episódios. No El Niño de 2023/24, as áreas agropecuárias amazônicas registraram 178 milímetros de chuva abaixo da média histórica e foram mais afetadas do que as áreas onde a floresta permaneceu.

O comportamento não foi idêntico em todo o país. No Cerrado e no norte da Mata Atlântica, a intensidade da seca aumentou a cada novo episódio de El Niño analisado, mas nesses biomas as áreas de vegetação nativa apareceram como as mais afetadas. Já no Pampa, o fenômeno esteve associado ao excesso de precipitação, sobretudo nos dois eventos mais recentes, e as áreas agropecuárias sofreram mais com os extremos.

Os dados, portanto, não autorizam uma relação simples segundo a qual menos vegetação significa sempre menos chuva. Eles mostram que a alteração da cobertura do solo afeta regiões de maneiras diferentes, quando da ocorrência de eventos climáticos extremos. e pode aumentar a vulnerabilidade de determinadas atividades econômicas.

RAD 2025

É nesse ponto que a nova Coleção 11 se conecta ao Relatório Anual do Desmatamento de 2025, o RAD, divulgado pelo MapBiomas em maio. Os dois trabalhos medem coisas distintas. A coleção apresentada agora olha para o estoque de vegetação e para a transformação acumulada do território desde 1985. O RAD mede o fluxo anual de novos desmatamentos e concentra sua análise no período entre 2019 e 2025.

O RAD mostrou que o Brasil desmatou 984,8 mil hectares em 2025, queda de 20,6% em relação ao ano anterior e o menor resultado da série do MapBiomas Alerta. Depois de alcançar 2,1 milhões de hectares em 2022, a área anual desmatada caiu por três anos consecutivos.

A melhora recente, porém, convive com a herança acumulada de quatro décadas de conversão do território. E os dois levantamentos convergem em um ponto particularmente importante: o Cerrado. No RAD, o bioma respondeu por cerca de 55% de toda a área desmatada em 2025, com 540,6 mil hectares, quase o dobro do registrado na Amazônia. Agora, a série de 41 anos mostra que a perda histórica de vegetação nativa no Cerrado já se aproxima, em números absolutos, da ocorrida na Amazônia.

A fotografia de agosto e o filme de maio, portanto, contam histórias complementares.

Com dados de Mapbioma, Agência Brasil e G1.

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