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MUNDO

EUA revogam visto de embaixadora brasileira e ampliam crise diplomática

Ato seria resposta à demora do Brasil em receber embaixador indicado por Trump e à negativa de visto a dois diplomatas americanos

Há 52 dias • por Carlos Graieb
EUA revogam visto de embaixadora brasileira e ampliam crise diplomática
A embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
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O governo de Donald Trump elevou nesta terça-feira (4) a crise diplomática com o Brasil a um patamar sem precedentes ao anunciar a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti, chefe da missão brasileira em Washington. Embora o Departamento de Estado tenha ressaltado que a medida não equivale à declaração de persona non grata nem à expulsão da diplomata — que poderá permanecer nos Estados Unidos —, trata-se de um gesto de forte impacto político e de mais um capítulo na escalada das desentendimentos entre os dois países.

Segundo Washington, a decisão decorre de duas iniciativas adotadas pelo governo brasileiro: a demora em conceder o agrément ao deputado republicano Daniel Perez, indicado por Trump para a embaixada dos Estados Unidos em Brasília, e a negativa de vistos a dois altos funcionários do Departamento de Estado que pretendiam visitar o Brasil no fim de julho. O governo americano informou ainda que o visto da embaixadora poderá ser restabelecido caso o impasse seja resolvido.

Um alto funcionário do Departamento de Estado afirmou à Reuters que a medida busca restabelecer a reciprocidade nas relações diplomáticas. Segundo ele, diplomatas americanos passaram a ser impedidos de realizar o que classificou como “trabalho rotineiro” entre os dois países, tanto pela retenção do agrément de Daniel Perez quanto pela recusa de vistos a integrantes da delegação americana. Na avaliação de Washington, a situação representa um bloqueio político às atividades diplomáticas dos EUA no Brasil.

Para o governo brasileiro foi a própria administração Trump quem rompeu a praxe diplomática ao anunciar publicamente a indicação de Daniel Perez antes mesmo de solicitar formalmente o agrément ao Itamaraty. Pela Convenção de Viena, o país receptor não apenas deve ser consultado previamente como também não tem obrigação de aceitar o nome apresentado nem de justificar eventual recusa ou demora na resposta. Diante dessa inversão do procedimento tradicional, o governo Lula optou por adiar sua manifestação sobre o indicado americano.

Brasília sustenta que a decisão americana foi influenciada pelo contexto político. Integrantes do governo demonstram preocupação com a possibilidade de que Perez, aliado próximo do secretário de Estado Marco Rubio, exerça algum papel nas eleições presidenciais brasileiras. A negativa de vistos aos dois funcionários americanos decorreu de receios semelhantes, uma vez que ambos pretendiam discutir temas ligados à integridade eleitoral, liberdade de expressão e liberdade religiosa, agenda que o governo brasileiro interpretou como potencial interferência no processo eleitoral.

O episódio representa mais um avanço na deterioração das relações bilaterais. Nos últimos meses, os dois países acumularam atritos envolvendo tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, divergências sobre liberdade de expressão e, mais recentemente, acusações mútuas de interferência política relacionadas às eleições brasileiras. A revogação do visto da embaixadora brasileira amplia essa escalada ao atingir diretamente a representação diplomática do Brasil em Washington, utilizando um instrumento raramente empregado entre dois países que mantêm relações institucionais estáveis.

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