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MUNDO

EUA elevam PCC e CV a ameaça terrorista hemisférica

Medida é tomada pela Casa Branca depois de visita de Flávio Bolsonaro a Trump e encontro com Marco Rubio para tratar do tema

Há 120 dias • por Carlos Graieb
EUA elevam PCC e CV a ameaça terrorista hemisférica
Flávio Bolsonaro e Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca. Foto: Reprodução/Instagram Flávio Bolsonaro
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O governo Donald Trump classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras na tarde desta quinta-feira, 28. Ao anunciar a medida, o secretário de Estado Marco Rubio justificou-a afirmando que a ação das facções “se estende muito além das fronteiras do Brasil” e impacta diretamente os Estados Unidos.

Consequências

A classificação abre caminho para sanções financeiras, restrições internacionais e eventual pressão diplomática sobre empresas, bancos e indivíduos suspeitos de ligação com as facções. Em última instância, pode autorizar até mesmo operações militares e da CIA em território brasileiro.

Ela também cria um fato político que deve se refletir na campanha presidencial de 2026. Flávio Bolsonaro fez apelo direto a Rubio para que tomasse essa decisão dirante visita a Washington, nesta semana. E foi atendido.

A medida entra em vigor em 5 de junho. Aproxima PCC e CV do tratamento dado por Washington a cartéis mexicanos e grupos como o venezuelano Tren de Aragua. Ainda que os grupos brasleiros não tenham presença comparável à dos cartéis mexicanos no mercado americano de drogas, a Casa Branca sob Trump ampliou o conceito de ameaça terrorista para incluir organizações criminosas capazes de operar além de suas fronteiras.

Campanha de Flávio e Eduardo Bolsonaro

A campanha da família Bolsonaro para obter esse desfecho se desenrola há meses. Sempre tiveram em Marco Rubio um ouvinte receptivo. A segurança pública é eixo central do discurso político bolsonarista e uma das áreas em que o governo Lula tem pior avaliação e, efetivamente, pior histórico.

No Planalto, há temor sobre a amplitude das sanções que podem ser aplicadas a instituições brasileiras, por exemplo, no campo das finanças. Também preocupa o precedente diplomático, uma vez que o enquadramento terrorista já foi utilizado como justificativa para operações militares e policiais em países latino-americanos.

O Brasil possui legislação antiterrorismo, mas historicamente evita enquadrar organizações criminosas domésticas nessa categoria. Sob Trump, ao contrário, a ampliação do conceito de terrorismo para abranger cartéis e redes criminais transnacionais tornou-se um pilares da política externa de segurança.

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