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MUNDO

Eleição colombiana mostra que segurança é o ponto frágil da esquerda

Com discurso calcado no combate ao crime, direitista termina o primeiro turno à frente do candidato de esquerda apoiado pelo governo

Há 116 dias • por Leonardo Barreto
Eleição colombiana mostra que segurança é o ponto frágil da esquerda
De la Espriella e Cepeda, candidatos Colômbia. Fotos: Reprodução X/Wikimedia Commons
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A eleição presidencial colombiana levou para o segundo turno o empresário Abelardo De La Espriella, lançado pelo partido recém-criado Movimento Defensores da Pátria, e o senador Iván Cepeda, candidato do atual presidente, Gustavo Petro.

Direitista outsider, De La Espriella obteve 43,7% dos votos ao repetir o roteiro conhecido de surpresa eleitoral já vivido no Brasil. Estava em terceiro lugar há um mês e, na semana da votação, aparecia com 31% das intenções, crescendo de forma surpreendente na reta final. Ele superou a candidata do Centro Democrático, Paloma Valencia, que pode ser definida como representante da direita clássica.

El Tigre x Revolução Pacífica

De La Espriella é advogado penalista e ganhou o apelido de “El Tigre” pelo estilo de comunicação. Durante a campanha, usou o slogan “Firme por La Patria”, passando a mensagem de que ele será implacável em temas de segurança interna, inclusive com o uso do Exército para garantir Lei e Ordem. Tem alinhamento simbólico com Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele.

O slogan de Iván Cepeda foi “El Poder de la Verdad”, em referência à sua militância de direitos humanos e à proposta de fazer uma revolução “pacífica e ética”. Ele apontou três pilares: combate à corrupção, à pobreza e ao atual modelo de ocupação territorial. Cepeda defende um sistema mais ecológico, com redistribuição de terras produtivas e programas de pacificação.

Quem ficou pelo caminho foi a direita tradicional, com apenas 6,9% dos votos. Herdeira do ex-presidente Álvaro Uribe, usou o slogan “Orden, Firmeza y Corazón”, disputando o tema da segurança interna com De La Espriella, mas trazendo a questão social. Suas pautas seguiram o receituário conhecido da defesa do livre mercado, incentivo ao agronegócio, oposição às reformas econômicas da esquerda e foco na segurança sob a ótica da doutrina tradicional do Estado colombiano. O apelo antissistema de De la Espriella, no entanto, acabou esvaziando completamente sua base eleitoral.

Cepeda, é o candidato do governo foi mais forte entre pessoas com menos renda, jovens e universitários, classe média baixa e moradores de regiões periféricas. De La Espriella atraiu empresários, profissionais liberais, regiões metropolitanas e a atividade agropecuária. O discurso relacionado à segurança, no entanto, deu a ele forte entrada também entre os mais pobres, fragilizando Cepeda.

Lição para o Brasil

Não se deve fazer o espelhamento entre Colômbia e Brasil projetando o futuro. Na verdade, o país vizinho parece estar vivendo o que o Brasil já passou em 2018, com um outsider que adota um discurso de direita sem rodeios.

Hoje, no Brasil, a direita outsider já se institucionalizou no Brasil, pegando seu ticket para o sistema pelo PL, partido histórico do centrão. Isso reforça que a Colômbia vive um outro momento e processo.

De todo modo, as características das agendas, a polarização, a urgência do tema da segurança interna e a incapacidade da esquerda de trabalhar essa agenda são aspectos comuns aos dois países.

Se Lula e Flávio Bolsonaro quiserem retirar lições da eleição colombiana, deve observar exatamente este aspecto. O candidato do PL deve compreender que há no tema da segurança um caminho para acessar eleitores em áreas geográficas controladas pelo PT. Lula deve saber que precisa adotar postura menos social e mais conservadora para não perder o eleitorado afligido pela violência.

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