Buscar
REVISTA V

Eduardo Leite: “Há uma brecha para algo diferente ganhar força”

Em entrevista exclusiva à revista 'V', o governador do Rio Grande do Sul fala da união de três presidenciáveis no PSD e das perspectivas de uma terceira via em 2026

Há 192 dias • por Carlos Graieb
Eduardo Leite: “Há uma brecha para algo diferente ganhar força”
Ouça este conteúdo Eduardo Leite: “Há uma brecha para algo diferente ganhar força”
5:06

O acontecimento mais surpreendente da política brasileira em tempos recentes foi a união de três possíveis candidatos à presidência em um mesmo partido, o PSD. Ratinho Jr., governador do Paraná, já pertencia à legenda. As novidades foram a migração de Eduardo Leite, governador gaúcho, e Ronaldo Caiado, governador de Goiás, para a legenda. Todos têm credenciais e legitimidade para pleitear a titularidade na corrida eleitoral, mas afirmam que estão juntos em nome de um projeto que sirva de alternativa ao lulismo e ao bolsonarismo. Também garantem que, no momento que uma decisão for tomada, o escolhido contará com o apoio dos outros dois.

Eduardo Leite, 40 anos, se apresenta para esse jogo depois de pôr em ordem as contas de um estado que estava quebrado. Ao longo de seus dois mandatos, enfrentou a pandemia de covid-19 e as inundações calamitosas que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Nesta entrevista, ele explica por que acredita ser o nome certo nas circunstâncias atuais. “Eu me forjei politicamente na dificuldade”, diz ele. “E esta eleição não será fácil, assim como serão muito duros os desafios de quem chegar ao Planalto.”

Leia um trecho da entrevista exclusiva concedida a V:

A união de três presidenciáveis de gerações e trajetórias muito diferen­tes criou uma imagem forte. Esse ar­ranjo corre o risco de implodir quan­do a escolha for feita?

Eu e o governador Caiado ingressa­mos num partido que já tinha um can­didato natural. O governador Ratinho Jr. aceitou nossa vinda, sem tentar nos bloquear. Todos sabiam onde estavam pisando. Acho que isso é prova sufi­ciente que estamos no mesmo espírito, que é o de criar um projeto alternativo aos do lulismo e do bolsonarismo para o país. Se eu quisesse ser candidato a presidente a qualquer custo, teria fica­do no PSDB, onde essa posição estava praticamente assegurada.

Qual será o critério de escolha e qual o prazo para que ela aconteça?

Um governador em exercício que pretenda disputar a presidência preci­sa deixar o cargo no começo de abril. Então, creio que esse é o horizonte. Ao longo de março teremos várias agen­das do partido. Serão debates abertos entre os “candidatos a candidato” e encontros com lideranças. Com isso, vai ser possível encaminhar uma defi­nição. O critério não será somente o das pesquisas. As pessoas ainda não estão sintonizadas nas eleições. Então, neste momento, precisamos ver com cautela a intenção de voto. As pes­quisas trazem uma informação. Mas, no fim, decisões desse tipo são condu­zidas pelas leituras de cenário e pelo faro político.

O que o PSD pode oferecer aos dois nomes que não forem escolhidos?

A tradição é que políticos estejam sempre pensando naquilo que podem levar. Mas essa não foi a lógica da nos­sa negociação. Se eu não for a opção, posso liderar a formação de um plano de governo ou ajudar na coordenação da campanha. Eventualmente, concor­rer ao Senado pelo Rio Grande do Sul.

Em todo ano de eleições, surge o de­bate sobre uma terceira via na políti­ca brasileira. Os resultados nas ur­nas são sempre inexpressivos. Por que seria diferente desta vez?

Nos extremos da política existe pai­xão. Já o eleitor moderado é mais céti­co e não se mobiliza tanto. Para rom­per essa dinâmica, um candidato de centro, de terceira via, não pode con­temporizar. Tem de representar um centro vivo, ativo, avançado, não algo morno e que fica no meio do caminho. Eu quero lançar uma candidatura para tensionar as discussões, para confron­tar o Lula e o Flávio Bolsonaro, mos­trando as inconsistências de cada um deles e a incapacidade dos grupos po­líticos que eles representam de entre­gar resultados para a sociedade. A oportunidade está no fato de que as duas últimas eleições criaram um es­tresse, um cansaço. Muita gente pre­tende votar em Lula só porque não su­porta a ideia de que um Bolsonaro ocupe novamente o Palácio do Planal­to. E vice-versa, há quem vote na direi­ta apenas porque não engole mais o PT. Existe aí uma brecha para algo dife­rente ganhar força.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER