O Brasil perdeu terreno em um dos mais tradicionais termômetros da competitividade global. Na edição de 2026 do World Competitiveness Yearbook (WCY), elaborado pelo IMD World Competitiveness Center em parceria com a Fundação Dom Cabral, o país caiu sete posições e passou a ocupar o 65º lugar entre 70 economias avaliadas. Trata-se de uma das piores colocações já registradas pelo Brasil na história do levantamento, ficando à frente apenas de Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela.
O ranking mede competitividade a partir da capacidade de uma economia criar e manter um ambiente favorável para a geração de valor pelas empresas. Para isso, combina centenas de indicadores estatísticos e pesquisas de percepção com executivos. Os dados são distribuídos em quatro pilares: desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura.
Piora generalizada
O desempenho brasileiro piorou em todos eles. A maior deterioração ocorreu em eficiência empresarial, que perdeu 11 posições. Em seguida vieram desempenho econômico, com recuo de seis posições, infraestrutura e eficiência governamental (cuja trajetória descendente se observa desde 2022). O resultado final é uma combinação amarga de baixo crescimento, ambiente institucional instável, elevado custo de capital e dificuldades na formação de capital humano.
Entre os indicadores mais problemáticos está o custo de capital. O Brasil aparece na última colocação do levantamento. Os juros básicos elevados reduzem a capacidade de investimento de longo prazo, dificultam a modernização produtiva e limitam projetos de inovação. O país também ocupa as últimas posições em educação básica, evidenciando um gargalo histórico na formação de mão de obra, que prejudica a produtividade.
Qualidade das instituições
Na seção analítica do estudo, o IMD argumenta que a competitividade está cada vez mais associada à qualidade das instituições. Em um cenário marcado por guerras, tensões comerciais, fragmentação geopolítica e enfraquecimento da globalização, o diferencial competitivo passa a ser a capacidade de oferecer previsibilidade, estabilidade regulatória e confiança no cumprimento de regras.
O relatório enfatiza a importância do Estado de Direito, entendido não como princípio jurídico abstrato, mas como ativo econômico. Investidores e empresas valorizam ambientes estáveis e previsíveis, onde disputas são resolvidas de forma imparcial e a ação estatal está sujeita a limites claros. Instituições confiáveis funcionam como uma espécie de infraestrutura invisível, que reduz riscos e amplia horizontes de investimento.
No topo do ranking
No topo do ranking, a liderança passou para Singapura, que ultrapassou a Suíça. O país consolidou uma trajetória marcada por eficiência governamental, ambiente favorável aos negócios e elevada capacidade de adaptação às transformações econômicas globais. Hong Kong ficou em segundo lugar, enquanto a Suíça caiu para a terceira posição, prejudicada pelo impacto de tensões comerciais e pela redução dos fluxos de investimento estrangeiro. Taiwan e Emirados Árabes Unidos completam o grupo dos cinco mais competitivos do mundo.
Embora apresentem modelos econômicos bastante distintos, os líderes do ranking compartilham algumas características. Têm elevada qualidade institucional, Estado eficiente, abertura ao comércio internacional, infraestrutura sofisticada e ambientes regulatórios considerados previsíveis pelos investidores.




