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POLíTICA

Cinco hipóteses para explicar o mau humor com a economia

Governo luta para entender por que, apesar do indicadores econômicos não serem ruins, percepção dos eleitores vai na direção contrária

Há 208 dias • por Leonardo Barreto
Cinco hipóteses para explicar o mau humor com a economia
Lula e Fernando Haddad: governo não sabe como lidar com o paradoxo da percepção da economia. Foto: Flickr/Ministério da Fazenda
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2:48

Desde a semana passada, a imprensa se dedica fortemente a desvendar um suposto paradoxo: se os indicadores econômicos estão bons, por que a percepção das pessoas sobre o governo e a economia voltou a piorar?

As hipóteses explicativas vão no seguinte sentido:

1. Percepção da inflação

Apesar de o IPCA ter voltado para a meta, a imprensa ressaltou que itens de consumo permanente – alimentos, energia e aluguel – continuam pressionando o orçamento. Além disso, há um acúmulo inflacionário carregado desde a pandemia que limita benefícios trazidos pelo crescimento recente da renda.

2. Programas sociais, subemprego e pejotização

Embora o desemprego esteja em níveis historicamente baixos (em torno de 5,6%), analistas destacaram a queda na qualidade das vagas. O crescimento da ocupação está muito ancorado em trabalho por aplicativos e informalidade. Isso gera insegurança financeira e falta de benefícios, o que impede a formação de uma percepção de “prosperidade”.

3. Juros reais e endividamento das famílias

A manutenção da taxa Selic em patamares elevados (atualmente em 15% ao ano) foi citada como um freio poderoso de percepção porque as famílias não conseguem refinanciar suas dívidas além de impedir o consumo de bens duráveis (eletrodomésticos, carros). Com as famílias muito endividadas, o aumento da renda serve para pagar juros passados em vez de gerar bem-estar presente.

4. Polarização política

As pesquisas mostraram que a percepção econômica varia drasticamente conforme a inclinação política e a religião. Entre eleitores de oposição e grupos evangélicos, a percepção de piora é muito superior à média nacional (chegando a 77% e 57% respectivamente). A imprensa interpreta que o “humor” sobre a economia tornou-se um marcador de identidade política, tornando as pessoas imunes aos dados oficiais do IBGE.

5. Impacto pouco relevante da isenção do IR

Analistas têm observado que a nova faixa de isenção IR gerou pouco efeito porque, embora represente incremento real de renda, não é suficiente para compensar os fatores listados anteriormente.

Tendo tudo isso em vista, a estratégia do governo de se autocelebrar, com base em indicadores da macroeconomia, pode esconder uma armadilha. Aos olhos da população, ele pode parecer descolado da realidade. O dever de casa para um presidente que ainda pretende se reeleger é compreender com mais dados e profundidade como as percepções sobre o dia a dia se formam e conectar o discurso às conclusões encontradas.

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