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ECONOMIA

Caso Master revela múltiplas fragilidades no sistema financeiro

Do Banco Central às plataformas de investimento, passando pela CVM, houve falha nos procedimentos que poderiam ter evitado a crise

Há 180 dias • por Da Redação
Caso Master revela múltiplas fragilidades no sistema financeiro
Banco Master: escândalo expôs fragilidades do sistema financeiro. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
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O jornal Valor Econômico publicou nos últimos dias uma série de reportagens sobre as fragilidades do sistema financeiro brasileiro expostas pelo colapso do Banco Master. Os danos provocados pelo esquema de fraudes e corrupção foram absorvidos sem causar dano sistêmico, mas ficou claro que órgãos reguladores e instituições financeiras têm providências urgentes a tomar.

Impacto bilionário no FGC

O FGC, aos seus 30 anos de existência, enfrenta seu maior desafio: o Master e instituições ligadas (Master SA, Master de Investimentos, Will Bank e Créditos Pleno) consumiram metade de sua liquidez – R$ 60 bilhões dos R$ 121 bilhões que a entidade tinha em caixa em junho de 2025. Os bancos que fazem aportes ao fundo anteciparão contribuições para lidar com o problema, num montante que deve ficar entre R$ 42 e R$ 51 bilhões em três anos. Em apoio a esse movimento, o BC vai liberar R$ 30 bilhões dos recolhimentos compulsórios devidos pelos bancos ao longo de 2026.

Plataformas de investimento sob escrutínio

Algumas das principais plataformas de investimentos do país distribuíram bilhões em CDBs do Master, incentivados por comissões polpudas. Esses títulos prometiam retorno muito acima do mercado, da ordem de 140% do CDI. Além disso, atraíam compradores lembrando que investimentos de até R$ 250 mil por CPT têm garantia do FGC. Especialistas apontam que a promoção desse tipo de título de alto risco pelas plataformas pode envolver um conflito de interesses. A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) atualizou seus códigos de conduta para moderar a propaganda desses produtos.

As dores do Banco Central

O Banco Central (BC) admitiu falhas graves no caso Master, que revelou corrupção interna. Dois servidores do Departamento de Fiscalização – Belline Santana (ex-chefe) e Paulo Sérgio Souza (ex-diretor) – foram afastados por receberem propinas do esquema para favorecer o banco.

A demora na liquidação extrajudicial do Master, mesmo depois de evidente o seu desequilíbrio patrimonial, reconfirmou o que os especialistas dizem há tempos: a lei  6.024/1974,  que regula a intervenção e a liquidação extrajudicial de instituições financeiras no Brasil, tornou-se obsoleta nas circunstâncias atuais do mercado. Mas a lei da resolução bancária (PLP 281/2019), que pretende atualizar o marco regulatório vigente, encontra dificuldades para avançar no Congresso.

Falhas da CVM

Fundos “de prateleira” opacos da Reag (gestora ligada ao Master), usados para desviar recursos de CDBs, expuseram falhas da CVM. Esses veículos escondem os beneficiários finais, facilitando infiltração do crime organizado, como mostrou a  Operação Carbono Oculto. O número de auditorias concluídas sem opinião nesses fundos (o que significa que as informações apresentadas aos auditores são dúbias ou insuficientes) é muito maior do que a média do mercado: 33% contra 4%. O fato de que o colegiado só conta atualmente com 2 de 5 diretores explica, em parte, as falhas na supervisão de fundos pela CVM. Há um impasse político nas nomeações, que são feitas pelo presidente da República e aprovadas pelo Senado.

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