Um estudo da Kinitro Capital repercutiu no mercado nesta semana. Ela busca explicar por que, apesar de indicadores econômicos positivos, em especial emprego e renda, a popularidade do presidente Lula está aquém do que poderia.
A tese é que ganhos recentes ainda não permitiram ao brasileiro recuperar o padrão de renda que ele tinha antes da pandemia. A comparação que o eleitor faz, portanto, não é deste governo com a gestão passada, mas do seu padrão de vida atual com o que ele tinha antes da covid 19. Seguem os principais tópicos para entender essa análise:
ICV-Alimentos
1. Os pesquisadores criaram um Índice de Custo de Vida – Alimentos (ICV-Alimentos), inspirado no conceito de affordability (poder de compra) que mede quantas cestas básicas uma pessoa consegue comprar com o que resta de sua renda após pagar compromissos financeiros.
2. Diferente da inflação oficial, ele foca na capacidade de compra real e na liquidez necessária para a segurança alimentar.
3. Com isso, embora a economia cresça, o poder de compra do brasileiro médio ainda não retornou aos patamares pré-pandemia (2014 ou 2019).
Sentimento de perda
4. Segundo o estudo, a base da pirâmide, que foi abastecida com programas sociais, não sente essa situação e, não por acaso, é também a base de sustentação do governo.
5. A classe C e o trabalhador formal, no entanto, estariam 20% abaixo do status que tinha antes da Covid.
6. O exemplo dado é o preço do arroz, que se consolidou num patamar de preço 50% superior ao de 2019, o que neutraliza a percepção de melhora.
Os mais atingidos
7. Para manter o consumo, as famílias recorreram ao crédito emergencial (cartão rotativo e cheque especial), elevando o comprometimento de renda a níveis recordes.
8. Os mais afetados são a Classe C, os aposentados e os trabalhadores formais.
9. Os trabalhadores informais escapam dessa armadilha, mas tendo que trabalhar mais, cerca de 45 horas semanais para compensar o custo de vida.
10. Para terminar, os autores do estudo propõem um modelo explicativo no qual a capacidade de comprar a cesta básica é o fator que mais pesa na popularidade: para cada 1% de perda no poder de compra de alimentos, o governo sofreria uma queda de 0,40 pontos percentuais na sua avaliação líquida em um trimestre.
Punição eleitoral
O modelo confirma que governos conseguem ganhos artificiais de popularidade em anos eleitorais devido à injeção de recursos na economia. Mas o desemprego baixo não gera capital político se o salário não cobrir os custos do supermercado. Além disso, o eleitor tende a punir a inflação de subsistência mais do que a inflação de serviços.
Se essa lógica estiver correta, o perigo mais imediato para a reeleição de Lula é a inflação do diesel, que já subiu 24% desde o início da guerra do Irã e pode contaminar o preço dos alimentos no supermercado. Isso agravaria uma sensação de aperto que, segundo o estudo, já existe.




