Lula fez o que parecia impossível e probabilisticamente improvável. Terminou o primeiro turno 2,2 milhões de votos atrás de Flávio Bolsonaro (47,03% a 45,16%) e virou no segundo turno com uma vantagem de 4,4 milhões de votos (51,79% a 48,21%) — uma reversão de 6,6 milhões de votos em três semanas.*
De onde vieram os votos:
- 4,4 mi da terceira via (47% do total) — Augusto Cury foi o maior reservatório
- 4,2 mi de brancos/nulos (70% foram para Lula)
- 2,2 mi de ausentes que votaram quase exclusivamente em Lula.
Flávio cresceu só 3,7 mi e não recuperou eleitores ausentes.
Dados demográficos
Uma inferência ecológica com base nos resultados de 5.566 municípios feitas por Juan Machado revela de onde vieram os votos que reelegeram Lula feita pelo cientista de dados Juan Machado, de uma agência americana especializada em dados eleitorais:
1️⃣ Lula ganhou onde era mais fraco (r = -0,67), crescendo principalmente onde Flávio era mais forte;
2️⃣ Idosos e baixa escolaridade compareceram mais;
3️⃣ Houve uma migração importante da classe média urbana para Lula (maior coeficiente: +0,45);
4️⃣ Mulheres foram mais às urnas no segundo (+0,30);
Teto de Flávio:
Apoios de partidos que aderiram à candidatura no primeiro turno não viraram votos. Estacionou no Norte/Nordeste. Voto útil esgotou no 1º turno sugerindo que Flávio atingiu seu limite na primeira rodada.
Conclusões
É preciso pontuar que o que se viu ontem (25) não se vê todo dia e que informações que temos hoje estavam camufladas em meio a muitos ruídos de uma eleição institucionalmente muito frágil.
A virada teve elementos de classe, de idade, de gênero — idosos, mulheres, evangélicos de centro e classe média branca migraram para Lula.
Esses dados, no entanto, só se explicam porque Lula contou com a maior máquina de campanha política da história que combinou mobilização orgânica e quase R$ 300 bilhões em pacotes de medidas com foco eleitoral.
A vitória altamente improvável, analisada depois dos eventos, possui explicações plausíveis. É preciso dizer que Flávio já estava muito próxima do seu limite quando terminou o primeiro turno – e reconhecer que as pesquisas de rejeição já apontavam isso. Isso também não deixa de mostrar que a sociedade rejeitou o projeto bolsonarista pela segunda vez.
O questionamento dos resultados ocorrerá porque, além de improvável, a virada se deu sob uma atuação muito turbulenta da autoridade eleitoral. Mas deve-se reforçar que há razões para considerar que a maioria da sociedade realmente escolheu a continuidade do presidente Lula.




