A reação do Ministério da Fazenda ao sugerir o uso da “Lei de Reciprocidade Econômica” como resposta ao tarifaço de 25% imposto pelos EUA é um equívoco técnico e estratégico preocupante. No comércio internacional, retaliar com o fígado em vez de negociar com a cabeça é uma receita certeira para o isolamento.
Ao aplicar tarifas de vingança contra produtos americanos, o governo brasileiro não pune Washington, pune o próprio mercado doméstico. Essa medida encarece insumos vitais para a nossa indústria, asfixia empresas importadoras e destrói empregos na cadeia logística e portuária nacional.
Potências comerciais modernas utilizam suas importações de forma inteligente para criar dependência mútua, relevância e poder de barganha, e não para travar disputas emocionais de palanque. O protecionismo contemporâneo não se combate com revanchismo ou notas de repúdio, mas com inteligência comercial, presença nos centros de decisão e o protagonismo da diplomacia corporativa privada.
O Brasil precisa de pragmatismo, e não de mais barreiras que onerem o bolso do nosso próprio produtor e consumidor.
*Márcio Coimbra, especialista em relações institucionais, é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia.




