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ECONOMIA

Dívida pública avança e Brasil tem segunda maior alta do G20

Apenas a China teve alta maior entre 2020 e 2026; crescimento econômico não consegue compensar elevação dos gastos públicos

Há 74 dias • por Melissa Fernandez
Dívida pública avança e Brasil tem segunda maior alta do G20
Foto: Daniel Dan / Unsplash
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3:24

A dívida pública brasileira deve encerrar 2026 em 96,5% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). O avanço coloca o Brasil com a segunda maior alta do endividamento entre os países do G20 no período entre 2022 e 2026, atrás apenas da China.

Em quatro anos, a dívida bruta do governo geral terá saltado de 83,9% para 96,5% do PIB, um crescimento de 12,6 pontos percentuais. A comparação com outras economias emergentes chama atenção. Países como África do Sul, México e Argentina apresentaram variações menores no período.

PIB cresce e dívida pública, também

O dado reforça uma das principais fragilidades da economia brasileira: a dificuldade de estabilizar a relação entre dívida e PIB, mesmo em um cenário de crescimento econômico. Nesta semana, o próprio FMI elevou de 1,9% para 2,4% a projeção de expansão do PIB brasileiro em 2026. Para 2027, a estimativa passou de 2% para 2,2%.

A melhora das expectativas para a atividade, porém, não tem sido suficiente para inverter a trajetória fiscal. Nos 12 meses encerrados em maio, o déficit primário acumulado chegou a 1,14% do PIB. Somadas as despesas com juros, o déficit nominal atingiu 9,62% do PIB.

Círculo vicioso

Para financiar os gastos públicos, o Brasil precisa manter os juros básicos em nível elevado, ou não encontra quem compre seus títulos. Isso cria um círculo vicioso. que agrava a situação e cria um círculo vicioso. O próprio serviço da dívida pressiona o resultado nominal do governo. Em maio, a despesa nominal com juros do setor público alcançou R$ 107,5 bilhões.

As projeções indicam que o aumento da dívida não deve terminar com o atual mandato presidencial. Pelos cálculos do FMI, o endividamento brasileiro deve alcançar a marca de 100% do PIB nos próximos anos. O cenário internacional também é de deterioração: a dívida pública global, próxima de 94% do PIB em 2025, deve chegar a 100% em 2029.

Despesas rígidas

No caso brasileiro, entretanto, o problema é ampliado ainda pela rigidez das despesas públicas. O próprio Tesouro Nacional já alertou que, sem novas medidas, as metas fiscais previstas no atual arcabouço tendem a se tornar inviáveis a partir de 2028. O crescimento das despesas obrigatórias, sobretudo previdenciárias e sociais, reduz progressivamente o espaço para gastos discricionários e dificulta o cumprimento das metas apenas por meio de bloqueios orçamentários.

Esse cenário ajuda a explicar por que o debate fiscal deve ocupar espaço central na agenda econômica e eleitoral. Embora a economia cresça acima do que se projetava no início do ano, a dívida pública avança em ritmo superior ao de quase todas as grandes economias do mundo. A ausência de uma perspectiva clara de estabilização que mantém o risco fiscal no centro das preocupações para 2027.

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