O candidato de direita Abelardo de la Espriella, advogado e empresário de 47, foi declarado vencedor da eleição presidencial colombiana após o “preconteo” — a contagem preliminar realizada pela Registraduría, o órgão eleitoral do país. Com 12,95 milhões de votos, superou o senador esquerdista Iván Cepeda por 250.830 votos, numa das disputas mais apertadas desde a adoção do segundo turno no país. Ao celebrar o resultado, afirmou: “Serei o presidente de todos os colombianos. A pátria milagre será uma realidade e, junto a vocês e com a ajuda de Deus, vamos reconstruí-la.”
O resultado, porém, ainda aguarda a confirmação formal do escrutínio, etapa que sucede o preconteo. Diferentemente da contagem preliminar, que tem caráter informativo, o escrutínio possui efeitos jurídicos e é responsável por verificar atas, analisar contestações e consolidar os votos válidos. O processo começou imediatamente após a eleição, mobiliza cerca de 9.300 juízes, notários e registradores e deve ser concluído ao longo desta semana. Embora a diferença entre os candidatos tenha sido inferior a um ponto percentual, a experiência recente sugere que alterações significativas são improváveis.
El Tigre
A vitória de De la Espriella representa uma ruptura com a experiência inaugurada por Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da história colombiana. Conhecido como “El Tigre”, o novo mandatário construiu sua campanha como um outsider anti-establishment. Fundador de um dos escritórios de advocacia mais influentes da Colômbia, ele acumulou fortuna em negócios que vão de imóveis a bebidas e vestuário.
Sua retórica mistura liberalismo econômico, conservadorismo nos costumes e uma agenda de segurança inspirada em líderes como Donald Trump e Nayib Bukele. Cidadão também dos Estados Unidos e da Itália, De la Espriella prometeu fortalecer a cooperação com Washington no combate ao crime organizado, reduzir impostos, cortar gastos e revitalizar a exploração petrolífera.
Desafios
O governo começará cercado por desafios. O primeiro deles é fiscal. A Colômbia encerra o ciclo Petro com um déficit elevado e dívida pública equivalente a quase 63% do PIB. O novo presidente também herdará um sistema de saúde em crise e um cenário de deterioração da segurança pública, marcado pela expansão de grupos armados ilegais em regiões onde a presença do Estado é limitada.
Há ainda um desafio político. A Colômbia emerge da eleição polarizada. Cepeda reconheceu o resultado preliminar e se declarou disposto ao diálogo, mas o presidente Petro insistiu que a definição oficial depende do encerramento do escrutínio.
Mapa político
A eleição colombiana altera o equilíbrio ideológico da América do Sul. Com a vitória de De la Espriella, a direita passa a governar sete dos doze países sul-americanos, superando numericamente a esquerda pela primeira vez desde a chamada “onda rosa” do início da década. A mudança dá continuidade a uma sequência de vitórias conservadoras observadas recentemente no Chile, na Bolívia, provavelmente no Peru e agora na Colômbia, sugerindo um movimento regional de reação às dificuldades econômicas, ao aumento da insegurança e ao desgaste de governos de esquerda.




