A chamada “taxa das blusinhas” parece estar com os dias contados. Em ano eleitoral, governo e oposição convergem — ainda que por motivos distintos — na avaliação de que sua extinção pode render dividendos políticos junto a um eleitorado sensível ao preço de bens de consumo. Do outro lado, resistem setores empresariais que denunciam a desigualdade competitiva criada pelo chamado “custo Brasil”, além de vozes dentro do próprio governo, como o ministro da Fazenda, Dario Durigan, interessado na arrecadação, e o vice-presidente Geraldo Alckmin, que já defendeu a medida sob o argumento de proteção à indústria nacional. Não são, porém, resistências que devam prevalecer.
MP em análise
Nos bastidores, o governo testa o terreno para uma eventual revogação. O Palácio do Planalto sonda o Congresso e avalia instrumentos como a edição de uma medida provisória para extinguir a cobrança. A leitura predominante é de que, havendo respaldo político, a mudança pode avançar rapidamente, a despeito das objeções da equipe econômica. O Ministério da Fazenda segue defendendo o programa Remessa Conforme, que ampliou o controle aduaneiro e a fiscalização sobre importações de baixo valor. Em busca de um meio termo, sugere discutir a alíquota aplicada às “blusinhas” e outras compras semelhantes, em resposta à pressão política.
Oposição
A oposição, por sua vez, tenta se antecipar. Parlamentares articulam projetos para derrubar a taxa antes de uma iniciativa do Executivo, numa disputa para capitalizar politicamente o alívio ao consumidor. Pesquisas indicam ampla rejeição à cobrança e os adversários não querem dar a Lula a oportunidade de reduzir os danos de imagem causados por sua adoção.
Histórico
Criada em 2024, a taxa estabeleceu uma alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, com o objetivo de reduzir a assimetria entre plataformas estrangeiras e o varejo nacional. Seus defensores argumentam que a medida ajudou a preservar empregos, conter fraudes e recuperar parte da arrecadação — que chegou a R$ 5 bilhões em 2025. Também teria reduzido a entrada de produtos importados e protegido cadeias produtivas locais. Já os críticos apontam que o efeito mais visível foi o encarecimento de itens de baixo valor, penalizando os consumidores de menor renda.




