A pouco mais de uma semana do primeiro turno das eleições, discute-se a possibilidade de que eleitores de outros candidatos antecipem o apoio a Lula ou Flávio Bolsonaro para tentar liquidar a fatura de uma vez. Isso suscita três perguntas sobre o chamado voto útil.
Voto útil existe?
Resposta: sim e não.
Sim, porque há um movimento de migração de votos de outros candidatos para os dois protagonistas.
Pesquisa Atlas, 30 dias atrás:
Lula + Flávio: 77,1%
Terceira via: 22,7%
Pesquisa Atlas, 23 de setembro:
Lula + Flávio: 89,2%
Terceira via: 9,6%
No último mês, a terceira via caiu de 22,7% para 9,6% (-13,1 p.p.).
Nesse período, Flávio cresceu 9,7% e Lula cresceu 2,4%.
Não, porque é impossível dizer se esse movimento ocorre por cálculo estratégico de voto útil ou se o motivo é a falta de tração dos outros candidatos. De todo modo, por um motivo ou pelo outro, o resultado é o mesmo.
Se a antecipação de voto estiver acontecendo, quem tende a se favorecer?
O voto útil tende a favorecer Flávio Bolsonaro. Segundo a última pesquisa Nexus, a única que pergunta aos eleitores de outros candidatos quem será a sua próxima opção, Flávio tem 41%, Branco/Nulo e Indeciso 31% e Lula, 28%.
Esse movimento é suficiente para fazer a eleição terminar no primeiro turno?
Probabilisticamente, a chance de terminar a eleição já no primeiro turno seria menor do que 1%.
O que tem sustentado essa expectativa, no entanto, é a série histórica de erros dos institutos e mudanças de última hora dos eleitores. Por exemplo, o cientista político Maurício Moura, do Instituto Ideia, afirma que há um “antipetismo de chegada” que pode surpreender em favor de Flávio.




