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POLíTICA

Tarefa primordial de Flávio é manter o bolsonarismo coeso

Impedir que os bolsonaristas se desgarrem praticamente garante a passagem para o segundo turno, que é outra eleição

Há 65 dias • por Carlos Graieb
Tarefa primordial de Flávio é manter o bolsonarismo coeso
Jair e Flávio Bolsonaro. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
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Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro fez movimentos que vêm sendo descritos como de “abandono da moderação”.

Na terça, em encontro com embaixadores estrangeiros, ele disse que o Brasil usa urnas de uma empresa venezuelana de reputação duvidosa. Muito embora o senador tenha ressaltado que não suspeita da lisura das apurações do TSE, a informação que ele apresentou é falsa (não há urnas da tal empresa) e isso levantou críticas de diversos políticos, não só da esquerda.

Antes, ele já havia descrito o ministro do STF Alexandre de Moraes como “sem alma”, um tipo de declaração que vinha evitando fazer até recentemente.

Cálculos eleitorais

Cada eleitor pode escolher por si mesmo os adjetivos que melhor descrevem os candidatos. A pergunta deste artigo não é se Flávio Bolsonaro “é moderado” ou “é radical”.

Partindo da suposição de que ele e seus assessores estejam fazendo cálculos racionais e não apenas reagindo por instinto às circunstâncias, a questão é saber o que essa mudança no discurso pretende alcançar.

Há uma pista na pesquisa Quaest divulgada em meados deste mês. Ela mostrou aumento do número de indecisos entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, não apenas entre os que se dizem de direita, mas também – e esta é a informação mais relevante – entre os que se dizem bolsonaristas. Nesse grupo, os que estariam convictos do voto no senador são 45%, contra 49% de indecisos.

A pesquisa Nexus divulgada nesta semana aponta na mesma direção. Segundo ela, Flávio tem 39,6% de eleitores convictos e 60,4% que ainda podem mudar de opção. Nesse caso, não foi divulgada uma quebra entre bolsonaristas e não bolsonaristas.

Manutenção do piso

Ora, enquanto o eleitorado bolsonarismo se mantiver coeso, qualquer candidato apoiado por ele tem um piso de intenção de voto da ordem de 20%, na pior das hipóteses. Isso é quase certeza de passagem para o segundo turno em uma eleição presidencial.

A tarefa primordial de Flávio Bolsonaro, portanto, é não deixar esse eleitorado se desgarrar. Isso é importante não apenas para 2026, mas para as pretensões políticas de sua família a médio prazo.

Faz todo sentido, portanto, mandar acenos a esse grupo diante de qualquer indício de que a fé está sendo abalada. É como dizer “continuamos os mesmos e vivemos como o nosso pai”.

Segundo turno é outra eleição

Isso tende, sim, a dificultar a adesão de eleitores e forças políticas mais ao centro durante a campanha. O que vem acontecendo. Partidos como PP e Republicanos optaram por não selar aliança formal com o PL de Flávio no primeiro turno.

Garantida a presença no segundo turno, contudo, a equação é outra. Quem hesitava antes, pode juntar-se ao projeto.

A campanha de Flávio Bolsonaro depende de manter o bolsonarismo coeso sem afastar de maneira irremediável a direita não bolsonarista e os eleitores “centristas”. Isso requer fazer ajustes finos no discurso. Ninguém disse que é trabalho fácil.

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