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POLíTICA

Quanto o eleitor independente está disposto a mudar de opinião? Descubra

Missão das campanhas é convencer os 31% de votantes que ainda têm altas chances de mudar a sua escolha eleitoral

Há 46 dias • por Leonardo Barreto
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Enquanto eleitores movidos ideologicamente são estáticos, o público não polarizado ou independente é sensível ao noticiário e aos resultados das políticas públicas.

Por isso, em uma situação em que os polos não possuem força suficiente para vencer a eleição, as campanhas de Lula e de Flávio têm o desafio de falar para fora da bolha.

As provas

Tomando o último relatório da pesquisa Quaest, fizemos um teste de variância simples, medindo o quanto os valores registrados nas pesquisas diferem da média. Se o índice é baixo, os dados estão sempre próximos à média. Se é alto, há grande volatilidade e mudança de opinião.

Entre lulistas, em abril, 98% declaravam voto em Lula; em agosto, o índice foi de 97%. A variação ao longo de cinco meses foi marginal, oscilando entre 95% e 98%.

Entre bolsonaristas, em abril, 95% declaravam voto em Flávio; em julho, o número caiu para 91% e, em agosto, retornou para 95%. A variação é ligeiramente maior, oscilando de 91% a 97%.

Entre independentes, no entanto, há vários indicadores mostrando que a opinião é volátil e/ou não está formada.

Independentes

No primeiro turno, no cenário estimulado, os indecisos somam 21%, e os votos em branco, nulos ou os que não votam chegam a 17%. Ou seja, 38% desse grupo não possui candidato escolhido.

No consolidado da amostra, 31% ainda dizem que o voto pode mudar. Entre os independentes, a taxa de convicção é sensivelmente menor do que nos núcleos ideológicos (onde ultrapassa 75%-80% de voto definitivo, com média de 20% que dizem que podem mudar).

Olhando para o cenário de segundo turno, em abril Lula tinha 36% e Flávio 32%; em julho, Lula subiu para 40% e Flávio caiu para 27% (diferença de 13 p.p.). Em agosto, Lula recuou para 33% e Flávio subiu para 29% (diferença caiu para 4 p.p.). Os votos nulos, brancos e abstenções saltaram de 24% (junho) para 29% (agosto).

Na análise de variância, o eleitor independente oscila entre 7 e 13 pontos percentuais em poucos meses entre apoiar Lula, apoiar Flávio ou optar por nulo ou branco; é o único grupo no qual nenhum candidato atinge marca superior a 40%.

Na avaliação de governo, os grupos polarizados apresentam variância quase zero (com 84% de “positivo” entre lulistas e 80% de “negativo” entre bolsonaristas). Os independentes dividem-se em um espectro mais heterogêneo: regular (39%), negativo (33%) e positivo (25%).

A avaliação positiva quase dobrou em 4 meses, saindo de 14% em abril para 25% em agosto (variação de +11 pontos percentuais). A avaliação negativa caiu de um pico de 42% em abril para 33% em agosto (-9 pontos percentuais).

Índice de volatilidade

Usando a variância e outros dados de convicção disponibilizados no relatório da pesquisa, é possível criar índices de volatilidade em uma escala entre 0 e 100, na qual, quanto mais perto de zero, mais estático é o eleitor.

Nesse sentido, os lulistas são os mais convictos, com score de 11,5. Os bolsonaristas também são estáticos, com índice de volatilidade marcando 18,4. Os independentes, no entanto, atingem 76,2 pontos na escala e constituem-se como o único vetor de incerteza da eleição.

É por isso que a campanha deve ser feita majoritariamente para eles.

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