Foi no Paraná que Flávio Bolsonaro deu sua principal cartada eleitoral até aqui. Após recusa de Ratinho Jr. de fazer algum tipo de composição com o presidenciável, o PL lançou Sérgio Moro. Forçou um recuo do governador que, naquele momento, viu seu espaço vital ameaçado.
Embora o contexto nacional implique uma disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, o interior da direita guarda seus próprios conflitos. O principal desafiante da ala bolsonarista é o grupo representado pelo PSD de Gilberto Kassab, que enfrenta a verticalidade do PL usando a estratégia de atrair prefeitos e privilegiar as elites locais.
São dois modelos diferentes de organização da direita.
Ordem vertical x federações
O primeiro se assemelha mais ao PT dos velhos tempos, de dominância nacional com uma liderança carismática e hegemonia que se impõe aos aliados nas disputas fundamentais. Esse foi o caso do PL na discussão sobre as vagas para o Senado em Santa Catarina. Esperidião Amin (PP) foi rifado, para que a candidatura de Carlos Bolsonaro (PL) pudesse ser acomodada.
Já Kassab é da old school, representada por partidos como o antigo PMDB e o PSD de antes de 1964. Essas eram federações de elites regionais que, por terem foco nas bancadas parlamentares, só dispunham lideranças nacionais fracas.
Esses dois modelos estão se chocando no Paraná.
Continuidade
Sérgio Moro foi lançado pelo PL e obteve, no último levantamento, 42,6% das intenções de voto. O governador Ratinho Jr., que tem aprovação de 79,6% e uma taxa de ótimo/bom de 67,9%, escolhe seu ex-secretário de Infraestrutura e deputado federal Sandro Alex, que hoje tem 8,8% na pesquisa citada.
Pela literatura da Ciência Política, é muito provável que Ratinho faça seu sucessor em razão da altíssima taxa de aprovação. As pessoas querem continuidade. Dessa forma, basta que que Sandro Alex se torne conhecido para que seu nome ganhe tração.
Diferenças invisíveis
O dado mais curioso da pesquisa, no entanto, é que, para a população, esse racha da direita não é visível. Na pergunta sobre qual candidato merece o apoio de Ratinho Jr., Moro aparece com 38,5% e Sandro Alex com 11%. É possível que, para as pessoas, a direita seja tudo aquilo que represente a antítese do PT, que Moro e Ratinho Jr., ou Bolsonaro e Kassab, sejam do mesmo espectro político e que divisões internas passem sem ser notadas.
No caso do Paraná, Ratinho Jr. vai ter o trabalho de dizer que a direita não é “tudo a mesma coisa”. Fará do Paraná um laboratório sobre a possibilidade ou não de o eleitor ver com mais nitidez as divisões políticas do país. Essa “miopia”, por assim dizer, favorece hoje a verticalidade do PL e as posições que mostram força para incomodar as elites locais.




