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POLíTICA

Os apetites do Centrão e a lógica de ter Alfredo Gaspar como vice

Deputado do PL compõe chapa com Flávio Bolsonaro e fecha cenário em que nenhum partido do Centrão disputa a presidência

Há 51 dias • por Leonardo Barreto
Os apetites do Centrão e a lógica de ter Alfredo Gaspar como vice
Alfredo Gaspar e Flávio Bolsonaro no lançamento da chapa do PL à Presidência. Foto: Vittor Salles
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Com a escolha do deputado alagoano Alfredo Gaspar para compor a chapa do PL, fecham-se as chapas da direita que concorrerão contra Lula em outubro. Um aspecto comum a todas elas é o fato de terem sido incapazes de atrair aliados do Centrão, terminando por se organizar como “chapas puras”.

Além do PL, que vai com Flávio Bolsonaro (RJ) e Alfredo Gaspar (AL), o PSD lançou Ronaldo Caiado (GO) e Gilberto Kassab (SP); o Novo oficializou Romeu Zema (MG) e Eduardo Girão (CE); e o Missão oficializou Renan Santos (SP) e Aroldo Medina (RS).

Embora a chapa Lula/Geraldo Alckmin tenha formalizado a parceria entre PT e PSB e a coligação reúna outras legendas, todas elas pertencem ao campo da esquerda. O governo também não conseguiu atrair siglas do Centrão para o projeto de reeleição.

Por que o Centrão não quer o Planalto?

A primeira pergunta que deve ser feita é: por que as legendas do Centrão, como MDB, PP, União, PSDB, Podemos e Republicanos, decidiram não se atrelar oficialmente a nenhum projeto presidencial?

O primeiro motivo alegado pelos partidos é deixar os diretórios estaduais livres para formar a melhor composição possível visando às eleições legislativas. Como o desempenho para a Câmara dos Deputados e o Senado é um dos critérios para a divisão dos recursos dos fundos partidário e eleitoral, ampliar a representação no Congresso tornou-se prioridade.

Mesmo assim, pode-se argumentar que seria possível formalizar uma coligação e, ao mesmo tempo, liberar os diretórios estaduais, como o PSD faz na prática.

Aí entra, possivelmente, o fator rejeição. Como os dois principais candidatos, Lula e Flávio Bolsonaro, possuem rejeição média próxima de 50%, apoiar explicitamente um ou outro representa um risco. A menos que o objetivo seja conquistar exclusivamente eleitores da direita ou da esquerda, a estratégia mais segura para quem busca votos no centro é não se alinhar claramente a nenhum dos polos, evitando ser rejeitado, desde o início, por antipetistas ou antibolsonaristas.

A lógica da escolha de Alfredo Gaspar

A nomeação de Alfredo Gaspar para a vice-presidência surpreendeu muitos observadores, pois a escolha, que normalmente busca acrescentar algum elemento de complementaridade ao perfil do candidato titular, deixou de priorizar o eleitorado feminino, apontado como uma fragilidade da campanha de Flávio Bolsonaro.

O trade-off promovido pela escolha de Gaspar parece ter sido a incorporação de alguém com profundo conhecimento do escândalo do INSS, considerando que foi relator da CPI; com sotaque alagoano, o que pode gerar maior identificação junto ao eleitor nordestino; e com histórico de atuação na segurança pública, tema que ocupa o topo da lista de preocupações da população.

Por fim, há um fator que não pode ser descartado em nenhuma análise envolvendo a família Bolsonaro: a lealdade. Ao longo da trajetória política do clã, aliados que demonstraram pretensão de atuar com autonomia em relação às orientações da família costumam perder prestígio rapidamente. Por isso, não se pode descartar esse elemento como um dos critérios que influenciaram a escolha anunciada hoje.

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