A única certeza que se pode ter nesta semana é que a crise do STF não acabará na próxima terça e que, a três semanas da eleição presidencial, será cada vez mais difícil desvincular os dois eventos.
Se, antes, as candidaturas queriam distância do caso Master, agora, quando fica claro que o caso deve dominar a pauta por muito tempo, se organizam para girar a campanha em torno dele.
Lula no ataque
Lula quer sair da defensiva e reduzir a sua ligação com Alexandre de Moraes por meio de ataques a André Mendonça. Nesse sentido, conta com pelo menos três aliados: Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino.
Mendes e Zanin fazem pressão para obter todo o conteúdo de dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro. O objetivo é retirar de Mendonça o controle do tempo da prestação das informações existentes ali e ter acesso a informações que são importantes para planejar ataques e movimentos de defesa.
Essa necessidade se mostra tão urgente que Zanin se arriscou ontem, 13, a passar inclusive por cima do presidente Edson Fachin, atual responsável pelo processo, e ordenar diretamente à Polícia Federal o envio do material para o seu gabinete. Em outro ofício, Gilmar deu peso político e jurídico à solicitação.
Cezinha
Dino, por sua vez, inaugurou o dia ordenando operações de busca e apreensão contra o deputado Cezinha da Madureira (PL/SP), líder evangélico que teria intermediado um encontro entre Mendonça e Daniel Vorcaro.
Madureira é um personagem que não estava em investigações e a operação aparenta ser uma manobra para colocar pressão sobre Mendonça. Dino faz esse trabalho no âmbito da investigação sobre emendas parlamentares e sugere disposição de conectar este inquérito a objetivos políticos.
Os futuros do STF e das eleições presidenciais, nesse sentido, parecem conectados neste momento e alimentam a suspeita de que não dá mais para saber quando ministros miram o processo e quando buscam auxiliar campanhas.




