À medida que o Brasil se aproxima de mais um ciclo eleitoral, grande parte do debate público volta a se concentrar em temas como crescimento econômico, produtividade, segurança, geração de empregos e competitividade. São discussões necessárias. Mas existe uma questão estrutural que continua recebendo menos atenção do que merece: qual é o papel das mulheres na construção do desenvolvimento do país?
A resposta deveria ser simples.
As mulheres representam a maioria do eleitorado brasileiro. Lideram empresas, empreendem, produzem conhecimento, movimentam a economia e sustentam milhões de famílias. Dados recentes mostram que mais de 35 milhões de domicílios brasileiros têm uma mulher como pessoa de referência. Ainda assim, permanecem sub-representadas justamente nos ambientes onde são tomadas as decisões que moldam o futuro econômico, político e institucional do Brasil.
Essa é uma contradição que precisa ser enfrentada.
Um imperativo de desenvolvimento
As mulheres já são protagonistas da economia real. Estão à frente de pequenos, médios e grandes negócios, geram empregos, impulsionam cadeias produtivas e participam ativamente da construção da riqueza nacional. No entanto, quando observamos os conselhos de administração, o mercado financeiro, os fundos de investimento, as entidades empresariais, os parlamentos e os espaços de formulação de políticas públicas, a predominância masculina ainda é evidente.
Não se trata apenas de representatividade. Trata-se de desenvolvimento.
Nenhum país consegue atingir plenamente seu potencial quando parte significativa dos seus talentos permanece distante dos centros de influência e decisão.
As economias mais competitivas do mundo já compreenderam que diversidade não é apenas uma pauta social. É uma vantagem estratégica. Organizações capazes de reunir diferentes experiências e perspectivas tendem a tomar decisões mais qualificadas, inovar mais e responder melhor aos desafios de um ambiente cada vez mais complexo.
Por isso, ampliar a presença feminina nos espaços de poder não deve ser visto como uma concessão ou uma obrigação legal. Deve ser entendido como um investimento na capacidade de crescimento e desenvolvimento do país.
Mas esse movimento exige mais do que abrir portas.
Posições de liderança
É preciso estimular cada vez mais mulheres a compreenderem o funcionamento da economia, da política e das instituições. É necessário fortalecer sua formação em liderança, gestão, mercado financeiro e participação pública. E, sobretudo, criar ambientes que legitimem sua presença nos espaços onde decisões estratégicas são tomadas.
Durante muito tempo, a discussão sobre protagonismo feminino esteve concentrada na ocupação de cargos políticos. Essa agenda continua importante. Mas o desafio atual é mais amplo.
O Brasil precisa de mais mulheres na política. Precisa de mais mulheres nos conselhos de administração, no mercado financeiro, nas entidades empresariais, nos centros de pesquisa e em todos os ambientes onde são discutidas as decisões que impactam a vida da população.
Afinal, se as mulheres já sustentam milhões de famílias, lideram empresas, geram empregos e movimentam a economia, por que ainda participam de forma tão limitada das decisões que definem os rumos do país?
Não há crescimento sustentável sem diversidade de perspectivas. E não haverá um Brasil mais competitivo, mais inovador e mais justo enquanto metade da população permanecer sub-representada nos espaços de poder.
O protagonismo feminino não é uma pauta das mulheres. É uma agenda de desenvolvimento nacional.
Porque o Brasil não alcançará seu verdadeiro potencial sem as mulheres.
*Karim Miskulin é cientista política, empresária e presidente do Grupo VOTO




