A longa novela sobre uma eventual candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao governo de Minas Gerais parece finalmente caminhar para o desfecho. Depois de semanas de indefinição, agravadas pela morte do irmão Matheus Azevedo, o parlamentar sinalizou que disputará o Palácio Tiradentes, comunicou sua decisão a aliados e publicou um vídeo nas redes sociais encerrado com a frase “seguirei na missão”.
O anúncio formal, porém, ainda depende do Republicanos. E a demora cobrou um preço político: em entrevista ao jornal O Globo, o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, afirmou que Cleitinho “perdeu o timing” ao faltar à convenção estadual do partido e admitiu que caberá agora ao diretório mineiro decidir se dará aval definitivo à candidatura. A relação entre o senador e a direção nacional, que já vinha sendo marcada por atritos, exigirá um esforço de acomodação.
Pesquisas
A definição interessa muito além das fronteiras de Minas Gerais. Segundo maior colégio eleitoral do país, o estado voltou a ocupar posição estratégica na disputa presidencial. A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em empate técnico entre os eleitores mineiros, com 30% e 29% das intenções de voto, respectivamente. Por isso, o favoritismo de Cleitinho para o governo torna-se um ativo valioso para a direita.
Ainda segundo a Genial/Quaest, o senador lidera a corrida estadual com 35% das intenções de voto — quase o triplo dos 12% registrados por Alexandre Kalil (PDT) e Patrus Ananias (PT), que dividem a segunda colocação — e aparece vencedor em todos os cenários simulados de segundo turno.
Mensagens
Por enquanto, coube aos aliados de Cleitinho esboçar a mensagem que pretendem transmitir ao eleitor. Em entrevista ao programa Café com Política, o ex-prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo, irmão do senador, afirmou que uma futura administração privilegiaria critérios técnicos na escolha do secretariado. Segundo ele, “secretários serão técnicos, e não politiqueiros”, mesmo em caso de indicações feitas pelos partidos aliados. A declaração procura reforçar uma imagem de gestão profissional e sinalizar que eventuais acordos políticos não significariam loteamento da máquina pública.
Concorrentes
Apesar da larga vantagem ostentada por Cleitinho, a campanha eleitoral ainda pode trazer surpresas. O atual governador Mateus Simões (PSD) ainda é pouco conhecido pelos eleitores. Mas seu nome está ligado ao de Romeu Zema, que renunciou ao cargo de governador com altos índices de aprovação para disputar a Presidência da República. Caso haja transferência de capital político, Simões tende a se tornar competitivo.
Além dele, Alexandre Kalil busca recuperar protagonismo na política mineira após administrar Belo Horizonte, enquanto Patrus Ananias representa a aposta do PT para reconstruir um palanque competitivo no Estado. Gabriel Azevedo (MDB) tenta se consolidar como alternativa de centro, mas ainda aparece distante dos primeiros colocados.




