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POLíTICA

Michelle pode vocalizar insatisfação do PL com candidatura de Flávio

Grupos evangélicos e ala do PL ainda não estão plenamente confortáveis com a escolha feita por Jair Bolsonaro para disputar a eleição

Há 92 dias • por Leonardo Barreto
Michelle pode vocalizar insatisfação do PL com candidatura de Flávio
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3:00

Caiu como uma bomba o vídeo de Michelle Bolsonaro criticando o senador Flávio Bolsonaro. Contando com produção, roteiro e edição, ficou claro que a iniciativa foi pensada e planejada, e não um desabafo de momento.

A campanha de Flávio, num primeiro momento, reagiu de forma inadequada, dizendo que não se aborreceria. Depois, no entanto, escreveu uma carta pedindo perdão e gravou um vídeo pregando união contra um “inimigo” comum: Lula.

Alas da direita

Toda a crise e sua gestão criam uma grande dúvida. Afinal, o que Michelle quer ao criar tamanho embaraço e constrangimento para Flávio, sabendo que sua candidatura mal se recuperou do caso Dark Horse e que tem como ponto frágil o público feminino, principal ativo da ex-primeira-dama?

É difícil responder sem cair no campo da especulação e da subjetividade. Por isso, é melhor olhar para os efeitos do vídeo.

O primeiro deles é mostrar que o entorno de Flávio Bolsonaro está longe de poder ser considerado pacificado. A questão é saber se a divisão exibida de forma nua e crua está apenas dentro do núcleo familiar ou se Michelle representa, na verdade, uma ala mais ampla da direita que gostaria de outro nome como candidato liderando o PL.

Evangélicos

Vale ler a entrevista do bispo Robson Rodovalho ao jornal O Globo, na qual ele afirmou que o público evangélico, ao qual Michelle é mais ligada, não confia mais em Flávio Bolsonaro.

Na longa entrevista, ele reclama de Flávio Bolsonaro ainda não ter procurado lideranças evangélicas, afirma que Michelle precisa estar engajada e diz que chancelaria seu nome para um voo presidencial, se fosse consultado.

“Essa decisão é do Jair, não é minha, e a ideia precisa nascer como um projeto da família. Agora, eu seria uma pessoa a validar esse movimento, sim. Ou ela poderia ser vice do senador Rogério Marinho (PL). Ou até mesmo do governador Ronaldo Caiado (PSD). Que fosse vice do próprio Flávio. Fato é que Michelle precisa estar engajada na campanha.”

Alas do PL

Nesse sentido, é possível que Michelle não esteja apenas expressando rusgas familiares e atritos pessoais. O caráter planejado e político da manifestação permite entender que ela pode estar atuando como um canal de oposição interna do PL a Flávio, que pode ser maior do que se vê.

Se for isso, a estratégia de colocar Michelle na linha de frente se deve ao fato de que, na medida em que a candidatura é familiar, apenas alguém do núcleo pode abrir essa discussão.

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