Caiu como uma bomba o vídeo de Michelle Bolsonaro criticando o senador Flávio Bolsonaro. Contando com produção, roteiro e edição, ficou claro que a iniciativa foi pensada e planejada, e não um desabafo de momento.
A campanha de Flávio, num primeiro momento, reagiu de forma inadequada, dizendo que não se aborreceria. Depois, no entanto, escreveu uma carta pedindo perdão e gravou um vídeo pregando união contra um “inimigo” comum: Lula.
Alas da direita
Toda a crise e sua gestão criam uma grande dúvida. Afinal, o que Michelle quer ao criar tamanho embaraço e constrangimento para Flávio, sabendo que sua candidatura mal se recuperou do caso Dark Horse e que tem como ponto frágil o público feminino, principal ativo da ex-primeira-dama?
É difícil responder sem cair no campo da especulação e da subjetividade. Por isso, é melhor olhar para os efeitos do vídeo.
O primeiro deles é mostrar que o entorno de Flávio Bolsonaro está longe de poder ser considerado pacificado. A questão é saber se a divisão exibida de forma nua e crua está apenas dentro do núcleo familiar ou se Michelle representa, na verdade, uma ala mais ampla da direita que gostaria de outro nome como candidato liderando o PL.
Evangélicos
Vale ler a entrevista do bispo Robson Rodovalho ao jornal O Globo, na qual ele afirmou que o público evangélico, ao qual Michelle é mais ligada, não confia mais em Flávio Bolsonaro.
Na longa entrevista, ele reclama de Flávio Bolsonaro ainda não ter procurado lideranças evangélicas, afirma que Michelle precisa estar engajada e diz que chancelaria seu nome para um voo presidencial, se fosse consultado.
“Essa decisão é do Jair, não é minha, e a ideia precisa nascer como um projeto da família. Agora, eu seria uma pessoa a validar esse movimento, sim. Ou ela poderia ser vice do senador Rogério Marinho (PL). Ou até mesmo do governador Ronaldo Caiado (PSD). Que fosse vice do próprio Flávio. Fato é que Michelle precisa estar engajada na campanha.”
Alas do PL
Nesse sentido, é possível que Michelle não esteja apenas expressando rusgas familiares e atritos pessoais. O caráter planejado e político da manifestação permite entender que ela pode estar atuando como um canal de oposição interna do PL a Flávio, que pode ser maior do que se vê.
Se for isso, a estratégia de colocar Michelle na linha de frente se deve ao fato de que, na medida em que a candidatura é familiar, apenas alguém do núcleo pode abrir essa discussão.




