A condenação de Eduardo Bolsonaro por tentativa de coação de ministros do STF compromete a estratégia de posicionamento de Flávio Bolsonaro de construir uma candidatura sem elevado atrito institucional e tom mais moderado. Ficou claro que a contemporização não resolve brigas contratadas lá atrás.
Um processo de pacificação institucional entre o bolsonarismo e o STF (a militância é outra história) deveriam ter começado com a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro – que precisa ser renovada agora – e a aprovação do PL da dosimetria.
Magnitsky
A anulação, por parte do governo dos EUA, da aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, também formava o pano de fundo da descompressão.
Pelo menos dois movimentos que fragilizaram Moraes e exigiram, pela sua ótica, a busca por fortalecimento pessoal e institucional, abortaram essa iniciativa.
O primeiro foi a revelação dos seus laços com Daniel Vorcaro e o segundo foi o processo movido contra ele pela rede social Rumble e pela Trump Media, que a AGU responde em seu nome em um tribunal da Flórida. Lateralmente, pode-se acrescentar a esse combo a negativa da Justiça italiana de extraditar Carla Zambelli em razão de uma “falta de neutralidade” por parte da Justiça brasileira.
Tendo que reaver popularidade e a solidariedade do governo, que chegou a estar ameaçada no momento mais crítico da crise Master, Moraes tem no combate ao bolsonarismo um alvo fácil e natural. O STF se mantém em postura de confrontação devido à suspensão da aplicação da Lei da Dosimetria e ao pedido para incluir Flávio Bolsonaro no processo pelo qual seu irmão foi agora condenado.
Vingança
Em reação, Flávio foi às redes sociais dizer que Alexandre de Moraes agiu movido por vingança e afirmou que não é bom viver em um país “onde tudo é instrumentalizado para perseguir as pessoas de quem você não gosta” e que “não estamos mais vivendo em uma democracia plena”.
Se Flávio Bolsonaro pretendia fazer uma campanha light, sem o componente do conflito institucional contra o Judiciário, isso não parece ser mais possível. A condenação de ontem e a influência de Eduardo sobre a campanha levarão Flávio a ter que se posicionar mais perto do eleitor bolsonarista e se distanciar momentaneamente do eleitor moderado/independente, que não se sente à vontade no ambiente de polarização e vê com desconfiança esse problema da família com o Judiciário.
Afastamento
Esse fator de desestabilização do Judiciário – EUA, Espanha, Itália e Argentina já reconheceram duvidar do julgamento dos eventos de 08/01 – também atinge Flávio Bolsonaro, que desejava uma campanha que explorasse mais as fragilidades de políticas públicas do governo e entrasse menos em um embate contra o STF.
Isso não parece mais possível e uma radicalização contra o Judiciário, tornando sua campanha mais parecida com a do seu pai em 2022, parece ser roteiro inevitável. Nem Alexandre de Moraes nem Flávio Bolsonaro podem mais fazer movimentos de aproximação por ora. Muito pelo contrário.




