A parte eleitoral da pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, 15, está estabilizada em um empate técnico com vantagem numérica para Flávio Bolsonaro sobre Lula: 42 x 40.
Em uma situação tão equilibrada, a conjuntura passa a ter um peso maior no resultado, estimulando as pessoas a mudarem ou serem conservadoras.
Nesse sentido, o evento mais importante não é o desempenho dos candidatos agora, mas a evolução do conforto ou não das pessoas com a parte da sua vida que é influenciada pelo governo, especialmente a economia.
Aqui a coisa complica para Lula.
Percepção de inflação
Para 50%, a economia piorou nos últimos 12 meses (aumento de 2 p.p. em relação ao estudo passado).
Depois de 9 meses de estabilidade, o número de pessoas que acha que os preços de alimentos subiram disparou 13 p.p. e atingiu 72%.
A sensação de diminuição do poder de compra subiu 7 p.p. e foi a 71%;
O otimismo em relação à economia diminui há quatro rodadas seguidas.
A questão da inflação, especialmente de alimentos, tende a ser mortal para Lula porque pega o grosso da sua base de eleitores.
Entre pessoas que ganham até 2 salários-mínimos, a percepção de aumento de preços de alimentos também chegou a 72%, mas ainda não contaminou a aprovação do presidente, que está em 57%, 12 p.p. acima da média. É esse o público que o governo precisa acompanhar com lupa.
Eleitores independentes
Outra questão que vale a pena olhar é a posição dos eleitores independentes, que podem desempatar a eleição. Nesse aspecto, eles apresentam uma percepção política maís crítica do que a média em relação ao governo.
Lula merece mais quatro anos como presidente?
NÃO – Média: 59%; Independentes: 71%.
A direção do país está certa ou errada?
ERRADA – Média: 58%; Independentes: 70%.
DESAPROVAÇÃO – Média 52%; Independentes: 58%.
ÓTIMO e BOM – Média: 31%; Independentes: 14%.
VOTO EM LULA NO SEGUNDO TURNO – Média: 40%; Independentes: 26%.
A boa notícia para o governo é o Desenrola 2.0, apoiado por 46%. Se o programa tem potencial de virar voto, não se sabe.
Escolha estratégica
O momento mostra uma situação estratégica complexa. O governo tem de se dividir entre defender o legado de Lula 3 e fazer campanha negativa contra adversários que se mostram competitivos, mesmo sem ainda aparecerem tanto.
A conclusão principal a que a pesquisa leva é de que o objetivo imediato do governo deve ser defender seu eleitorado principal, pessoas mais pobres, da ameaça da inflação. Elas já perceberam que a situação piorou, mas ainda mostram fidelidade política a Lula.
Até quando?
Mesmo perdendo os eleitores independentes, o governo deveria evitar dispersar esforços em outra coisa que não seja o custo de vida e o preço dos alimentos, porque esse é um adversário muito mais fatal do que qualquer nome da oposição.
Ele precisa primeiro garantir seu território para, depois, avançar sobre o campo do adversário.




