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POLíTICA

Lula depende de evitar piora na percepção dos preços, mostra Quaest

Pesquisa mostra que antes de se preocupar com eleitores independentes, Lula precisa impedir debandada de sua própria base

Há 162 dias • por Leonardo Barreto
Lula depende de evitar piora na percepção dos preços, mostra Quaest
Supermercado: aumento na inflação de alimentos seria mortal para campanha petista. Foto: Tânia Rego/Agência Brasil
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3:25

A parte eleitoral da pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, 15, está estabilizada em um empate técnico com vantagem numérica para Flávio Bolsonaro sobre Lula: 42 x 40.

Em uma situação tão equilibrada, a conjuntura passa a ter um peso maior no resultado, estimulando as pessoas a mudarem ou serem conservadoras.

Nesse sentido, o evento mais importante não é o desempenho dos candidatos agora, mas a evolução do conforto ou não das pessoas com a parte da sua vida que é influenciada pelo governo, especialmente a economia.

Aqui a coisa complica para Lula.

Percepção de inflação

Para 50%, a economia piorou nos últimos 12 meses (aumento de 2 p.p. em relação ao estudo passado).

Depois de 9 meses de estabilidade, o número de pessoas que acha que os preços de alimentos subiram disparou 13 p.p. e atingiu 72%.

A sensação de diminuição do poder de compra subiu 7 p.p. e foi a 71%;

O otimismo em relação à economia diminui há quatro rodadas seguidas.

A questão da inflação, especialmente de alimentos, tende a ser mortal para Lula porque pega o grosso da sua base de eleitores.

Entre pessoas que ganham até 2 salários-mínimos, a percepção de aumento de preços de alimentos também chegou a 72%, mas ainda não contaminou a aprovação do presidente, que está em 57%, 12 p.p. acima da média. É esse o público que o governo precisa acompanhar com lupa.

Eleitores independentes

Outra questão que vale a pena olhar é a posição dos eleitores independentes, que podem desempatar a eleição. Nesse aspecto, eles apresentam uma percepção política maís crítica do que a média em relação ao governo.

Lula merece mais quatro anos como presidente?

NÃO – Média: 59%; Independentes: 71%.

A direção do país está certa ou errada?

ERRADA – Média: 58%; Independentes: 70%.

DESAPROVAÇÃO – Média 52%; Independentes: 58%.

ÓTIMO e BOM – Média: 31%; Independentes: 14%.

VOTO EM LULA NO SEGUNDO TURNO – Média: 40%; Independentes: 26%.

A boa notícia para o governo é o Desenrola 2.0, apoiado por 46%. Se o programa tem potencial de virar voto, não se sabe.

Escolha estratégica

O momento mostra uma situação estratégica complexa. O governo tem de se dividir entre defender o legado de Lula 3 e fazer campanha negativa contra adversários que se mostram competitivos, mesmo sem ainda aparecerem tanto.

A conclusão principal a que a pesquisa leva é de que o objetivo imediato do governo deve ser defender seu eleitorado principal, pessoas mais pobres, da ameaça da inflação. Elas já perceberam que a situação piorou, mas ainda mostram fidelidade política a Lula.

Até quando?

Mesmo perdendo os eleitores independentes, o governo deveria evitar dispersar esforços em outra coisa que não seja o custo de vida e o preço dos alimentos, porque esse é um adversário muito mais fatal do que qualquer nome da oposição.

Ele precisa primeiro garantir seu território para, depois, avançar sobre o campo do adversário.

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