É importante a notícia de que o senador Alessandro Vieria (MDB-SE) pedirá o indiciamento de Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Paulo Gonet no relatório final da CPI do Crime Organizado.
O tamanho da confusão que Vieira está comprando sequer dá para ser medido e parece uma extravagância num primeiro momento.
No entanto, ela tem potencial para se desdobrar em eventos que irão testar o grau de cobertura política do STF após Lula e, antes dele, José Dirceu, terem decidido “largar a mão” da cúpula do Judiciário.
Dilema 1: a votação do relatório
O primeiro teste será a votação do relatório e a pergunta é se o governo fará a mesma força que fez na CPI do INSS para não permitir sua aprovação.
A CPI é composta por 11 membros titulares e 7 suplentes. Considerando apenas o primeiro grupo, o PT tem 2 senadores (incluindo o presidente), o PL tem 3, o PSD tem 2, MDB, Republicanos, PSB e Podemos tem 1 representante cada.
Em tese, bastaria ao governo dar um comando para enterrar o relatório. Além de parlamentares da base, os dois senadores do PSD são da Bahia e fortemente aliados ao Planalto.
A oposição, além de ser minoria, tem demonstrado também não querer comprar essa briga. O destaque é a presença de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência, que tem evitado criticar o STF e já reclamou publicamente contra a insistência do senador Alessandro Vieira para colocar os ministros no foco das investigações.
Ou seja, uma avaliação do perfil e das circunstâncias da CPI sugere que não há interesse em aprovar o relatório. Mas, nesse ponto, entra outra circunstância: dos 11 titulares, 7 senadores vão à reeleição e 1 (Flávio) concorre ao Planalto.
Dilema 2: o julgamento da população
Se é verdade que o STF será fator de decisão de voto para o Senado, Alessandro Vieria armou uma encrenca para os seus colegas.
Na última pesquisa Genial/Quaest, 66% da população disse considerar importante votar em um candidato ao Senado comprometido com o impeachment de ministro do STF.
Uma decisão fácil se tornou um dilema eleitoral que nem os senadores e nem Flávio Bolsonaro querem enfrentar. O peso desse problema aumentará se a opinião pública der visibilidade ao tema e provocar alguma mobilização popular.
Metaforicamente, pode-se dizer que Vieria acendeu um palito de fósforo que pode ser facilmente apagado pelo sopro. Ele brinca com fogo, no entanto, próximo a um barril de pólvora chamado eleições.




